Psicólogo da UniNorte dá dicas de preparo emocional para o Enem
Segundo o especialista, o candidato deve ficar atento para sintomas de transtornos de ansiedade não tomarem conta da mente e se refletirem no corpo
Alcançar um objetivo tão almejado nem sempre é tarefa fácil e muitas vezes exige um preparo psicológico e emocional tão importante quanto à técnica em si. No caso de uma prova como o Enem, em que há grande concorrência entre os estudantes para entrar em uma universidade, os níveis de ansiedade e estresse no processo de estudos podem contribuir para um quadro de transtorno, se o aluno não tomar os cuidados necessários, além de afetar o próprio desempenho. Quem afirma é o professor e psicólogo da UniNorte, Jessé Rebelo.
Os transtornos de ansiedade ou até mesmo depressão são desencadeados por uma série de motivos. No que compete aos alunos, a pressão para tirar uma boa nota, aliada a fatores biológicos e sociais, acabam sendo um gatilho para, por exemplo, sentir dificuldades para dormir e se alimentar.
Segundo o especialista, o candidato deve ficar atento para estes sintomas não tomarem conta da mente e se refletirem no corpo. “É importante que o aluno tenha um fator social adequado. Um bom ambiente para estudar, um local calmo e onde ele se sinta à vontade. Sistematizar a organização dos conteúdos é essencial para que tenha a certeza que vai atingir a meta, sem muitos problemas”, afirma o psicólogo.
Neste momento, os familiares também são peças-chave no bom desempenho do candidato, que precisa de apoio. O psicólogo afirma que o estudante é também membro da família e os papeis funcionais, naquele ambiente, precisam ser bem distribuídos, até para reforçar os laços e gerarem bem-estar ao candidato. “O correto é as pessoas encorajarem, deixarem um clima positivo na casa. O suporte relacional e sentimental precisa estar alinhado, porque devido o estresse acentuado, até o humor tende a se alterar”, define.
Inteligência emocional
Conforme o especialista da UniNorte, há pesquisas que mostram a relação do baixo desempenho no Enem com a falta de controle emocional. Ele pontua o estresse, ansiedade, falta de confiança, medo e insegurança como alguns aspectos que atrapalham os alunos na hora da prova.
“Ninguém aprende a gerenciar a emoção porque isso é adquirido com o tempo e através de técnicas. O aluno pode exercitar a respiração e buscar relaxar para se manter racional, até porque ele pode saber muito bem tecnicamente o assunto, mas se ele não está conseguindo se controlar, a racionalidade é rebaixada”, destaca.
Paralelo a isso, Rebelo afirma que a ansiedade, em um grau mínimo, ajuda o aluno a se movimentar e ter mais dedicação aos estudos. Ele defende que o sentimento de inquietação pré-Enem resulta em um jovem mais produtivo, além de fazer sentir-se motivado a superar aquele obstáculo. “O indivíduo precisa ter condições de identificar os níveis de ansiedade, até porque todo mundo precisa disso para alcançar as metas. Porém, se esses níveis forem intensos demais, acaba acontecendo o inverso e desequilibra mentalmente”.
Por conta disso, há exercícios específicos para treinar a concentração, atenção e capacidade de memorização, que ajudam a assimilar conteúdos com mais eficácia, mas Rebelo dá como principal dica simplesmente sair da rotina de vez em quando. “Passeio, cinema, viver relações com as pessoas e ter um momento de relaxamento. Os momentos que a gente vivencia fora do padrão sistematizado é o que dá mais flexibilidade para a mente”, orienta.