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A Crítica
Manaus

Seca no Amazonas deixa produção da ZFM em situação de impasse, afirma presidente da Eletros

Em entrevista ao A CRÍTICA, o presidente-executivo da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos (Eletros), Jorge Junior, condicionou a normalidade das empresas do Polo Industrial de Manaus ao fim da estiagem

Publicado em 16/10/2023 às 16h23
Seca no Amazonas deixa produção da ZFM em situação de impasse, afirma presidente da Eletros
Foto: Raquel Mendonça / Fecomércio

O presidente-executivo da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos (Eletros), Jorge Junior, afirmou em entrevista ao A CRÍTICA a possibilidade de algumas empresas na Zona Franca de Manaus (ZFM) não terem insumos suficientes até o fim da seca que assola o Amazonas.

“A dúvida é saber quando acabará a estiagem. Alguns dizem que deve durar mais 15 dias e outros 30 (dias), ainda. Dependendo do tempo que ainda durar, algumas empresas não terão insumos “, diz Jorge Junior.

Com o nível do rio Negro alcançando a marca histórica de 13,59 metros, nesta segunda-feira (16), a preocupação e ameaça de paralisação da produção de eletrodomésticos e eletrônicos aumenta.

No rio Negro, os pilares de sustentação da ponte que liga Manaus a Iranduba estão completamente expostos devido a seca histórica, marca batida nesta segunda-feira (16) (Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA))

De acordo com Jorge Junior, “As operações de cabotagem e praticagem tiveram sua paralisação quase que na sua totalidade. Segundo eles, não há calado suficiente para a navegabilidade”. 

O calado é a distância entre parte inferior da quilha do navio e a linha de flutuação de uma embarcação, medido verticalmente, ou seja, não há profundidade suficiente para que os navios consigam trafegar na região para desembarcar os produtos.

Muitos navios estão retornando para o Complexo Industrial Portuário Governador Eraldo Gueiros, mais conhecido como Porto de Suape, localizado em Pernambuco, e ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em Fortaleza. Em outros casos, há embarcações aguardando nas áreas próximas a Macapá, no Amapá, e Belém, no Pará.

Junior pontua também que na semana passada começaram a conversar com o sindicato dos trabalhadores para negociar a concessão de férias coletivas com a falta de insumos, afetando de forma elevada o estoque de produtos finalizados e que estão presos nas fábricas. 


Produção das empresas que integram a Zona Franca de Manaus pode ser bastante afetada pela falta de insumos e pela inviabilidade logística (Foto: Divulgação)

Consequências da Seca

Em coletiva virtual na semana passada, o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e similares (Abraciclo), Marcos Bento, informou que “Todos os fabricantes de bicicletas e motocicletas estão trabalhando para minimizar os impactos (da seca), seja na subida de matéria-prima, na produção e no escoamento dos produtos. Mas é claro que a gente percebe já um aumento [no custo] do frete e consequências um pouco mais drásticas.”

A reportagem de A CRÍTICA apurou na semana passada o baixo estoque de parafusos e porcas que estaria causando atrasos na produção de produtos da empresa Moto Honda da Amazônia.

Em nota, a Moto Honda afirmou que “tem adotado alternativas logísticas junto aos seus fornecedores e parceiros de negócios como, por exemplo, a utilização de transporte aéreo e rodoviário, para minimizar impactos em sua operação. Até o momento não há nenhuma interrupção programada e a empresa monitora a situação constantemente.”

Outras alternativas, como o envio de cargas por balsas, está sendo um recurso a ser usado, entretanto, dependendo da quantidade de carga do navio, as balsas carregam cerca de menos de 5% de carga e aumentam os custos de transporte de cerca de 50% do valor do frete fluvial.

Medidas

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) aprovou, na última quarta-feira (11), um despacho autorizando o afretamento de cabotagem de todos os tipos de carga na região. O despacho apresentado pelo diretor Wilson Lima Filho foi aprovado com o objetivo de agilizar a liberação para afretamento de embarcações menores que consigam navegar na região que está com profundidades reduzidas em função da grave seca da Região Amazônica. A liberação é válida pelos próximos 90 dias e busca contribuir para amenizar os efeitos devastadores, ambientais e econômicos, para todo o território nacional devido à estiagem. 

A reunião que está sendo realizada hoje (16) pela Fecomércio Amazonas conta com presidentes de sindicatos e representantes de portos, terminais e transporte intermodal para tratar sobre os impactos da seca no abastecimento de produtos no Amazonas.

Como alternativa, Jorge Junior levantou a necessidade dos serviços de dragagem nos trechos mais críticos dos rios Madeira e Solimões, como prometido pelo governo federal.

“Também deve haver a desburocratização máxima sobre o transporte de balsas com cargas e quanto às regras de produtos básicos, já que os insumos não devem chegar no Polo Industrial de Manaus plenamente e as empresas não podem ser punidas por descumprir em PPB por esse motivo”, cobrou.