Sem camelódromo, ambulantes vão continuar nas calçadas do Centro de Manaus
Reabertura do terminal inviabiliza a transferência de artesãos que trabalham na praça Tenreiro Aranha. Camelôs, contudo, gostaram de voltar aos velhos pontos
Com a reativação do terminal da Matriz, o projeto de construção de um camelódromo na praça Tenreiro Aranha, Centro, será abandonado pela prefeitura. O presidente do Sindicato dos Camelôs, Raimundo Sena, afirmou nesta quarta-feira (1/8) que, para este ano, a retirada desses comerciantes das calçadas da área central da cidade não tem mais solução.
No último dia 20 de junho, o diretor-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Manoel Ribeiro, anunciou um projeto de revitalização da prefeitura para o Centro de Manaus que previa a construção de um shopping popular, de dois andares, para abrigar 1.448 camelôs, do total de 2.134. Para que o projeto fosse executado, a prefeitura pretendia transferir cerca de 40 artesãos da feira de artesanato da praça Tenreiro Aranha para o terminal desativado e iria construir boxes para abrigá-los.
O Implurb informou, em nota, que “a Prefeitura de Manaus lamenta que, mais uma vez, a tentativa do poder público de retirar os vendedores ambulantes das vias do Centro e da construção de um local apropriado para abrigá-los tenha sido frustrada”.
O projeto de construção de um camelódromo na rua Theodoreto Souto foi marcada por impasses entre a prefeitura e a superintendência do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amazonas por conta do tombamento do Centro Histórico de Manaus.
No dia 4 de julho, o diretor-presidente do Implurb, Manoel Ribeiro, apresentou à Superintendência do Iphan o projeto de ‘viabilização de circulação dos veículos’ que incluía a construção do shopping popular. De acordo com o Iphan, o projeto ainda está passando por uma análise técnica. Quando o projeto foi entregue, o órgão apontou um prazo de 45 dias para que essa análise fosse concluída.
A execução do projeto do Implurb ficou ainda mais complicada após a decisão de reabrir o terminal central, para onde deveriam ser transferidos os artesãos.
Mesmo sem a previsão de conseguir um espaço mais adequado, muitos camelôs aprovaram a reativação do terminal da Matriz, principalmente, os que trabalhavam no local e precisaram sair depois que ele foi desativado. “Eu trabalhava aqui no terminal antes de ser fechado. Depois me colocaram lá para rua Marquês de Santa Cruz e minhas vendas caíram muito. Meus fregueses são os usuários de ônibus. Por isso, achei ótimo poder voltar a trabalhar aqui. Mas é lamentável a situação em que as pessoas estão, embaixo desse sol”, disse a vendedora Rosilene Ramos, 40.
Pontos
Com a volta dos usuários do transporte coletivo para o terminal da Matriz, os camelôs da Avenida 7 de Setembro que tinham sido transferidos para outras ruas do Centro, retornaram ontem para os pontos onde trabalhavam antes da implantação do terminal improvisado. Porém, lamentaram a queda nas vendas que deve ocorrer com a mudança.
18 de junho – Camelôs vão à Câmara Municipal reivindicar o camelódromo.
20 de junho – O Implurb anunciou a construção na praça Tenreiro Aranha.
4 de julho – Foi apresentado ao Iphan o projeto do Implurb que previa a construção do camelódromo no Centro.
31 de julho – A prefeitura decidiu abandonar o projeto camelódromo na praça Tenreiro Aranha que iria abrigar 1.448 camelôs, do total de 2.134 que trabalham atualmente.