Simpósio no Amazonas vai discutir sobre infecções sexualmente transmissíveis
Assunto será discutido a partir da próxima segunda-feira, dia 21, de 8h às 17h, no Auditório Damião Litaiff, sede da Fuam, durante o "1º Simpósio de Infecções Sexualmente Transmissíveis: do Laboratório à Clínica"
O Condiloma Acuminado, popularmente chamado de “Verruga Genital”, e causado pelo papiloma vírus, é o “líder do ranking” de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) entre os pacientes que procuram a Fundação Alfredo da Matta (Fuam), que é centro de referência no Estado para esses tipos de doenças. Em 2015, essa IST terminou o ano com 801 ocorrências, seguido de sífilis com 703 casos e outras uretrites (inflamações ou infecções na uretra). Por sua vez, até julho deste ano, o Condiloma aparece novamente na ponta com 492 registros até o momento.
Esses e outros assuntos serão discutidos a partir da próxima segunda-feira, dia 21, de 8h às 17h no Auditório Damião Litaiff, sede da Fuam, durante o o 1º Simpósio de Infecções Sexualmente Transmissíveis: do Laboratório à Clínica.
O evento está com inscrições sendo efetuadas e é aberto ao público mediante o pagamento de uma taxa de investimento de R$ 20, que deve ser paga via depósito identificado na conta corrente 48719-8, agência 3726 (Bradesco).
O simpósio reunirá pesquisadores e profissionais da área para discutir temas relacionados a cinco Infecções Sexualmente Transmissíveis: Clamídia (Chlamydia trachomatis), Gonorreia (Neisseria gonorrhoeae), HPV (vírus do papiloma humano), Candidíase (Candida ssp) e Úlceras genitais. As infecções serão abordadas em palestras com resultados de projetos de pesquisas de mestrado, dados epidemiológicos, métodos e técnicas de diagnóstico e tratamento, além de aspectos importantes para o atendimento clínico de profissionais da saúde que atuam nesta área das IST.
O simpósio tem apoio da Fapeam que financiou, por meio do edital nº 009/2011, com recursos disponibilizados pelo Programa de Apoio à Núcleos Emergentes de Pesquisa (Pronem) pesquisas de mestrado que foram desenvolvidas na instituição, bem como recursos para a vinda de palestrantes de diferentes instituições brasileiras. “Estamos organizando esse evento com apoio da Fapeam e da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis. O simpósio é como o encerramento de um ciclo após um grande projeto de pesquisa aprovado pela Fapeam e, por conta desse projeto, desenvolvemos vários projetos que renderam dissertações de mestrados e outras pesquisas com esse recurso e agora estamos utilizando esse próprio edital para organizar esse simpósio, divulgar esses dados que forma gerados e convidamos palestrantes nacionais, referências em suas áreas de pesquisa, para compôr conosco esse evento”, explica a pesquisadora Cynthia de Oliveira Ferreira, do Laboratório de Biologia Molecular da Fundação Alfredo da Matta.
O Auditório Damião Litaiff fica na sede da Fuam, na avenida Codajás, 24, Cachoeirinha, Zona Sul. Mais informações pelos fones 3632-5821, 98129-0618 (Tim) e 99398-6369 (Vivo).
Sobre a Programação
Na Mesa Redonda 1: Chlamydia trachomatis, a MSc. Camila Gurgel dos Santos, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) abordará o tema “Avaliação de qPCR in house no diagnóstico de Chlamydia trachomatis”. A sigla qPCR refere-se a “Reação de Polimerase em Cadeia Quantitativa”, técnica utilizada em laboratório de biologia molecular para pesquisas médicas e biológicas que permite tarefas como sequenciamento de genes e diagnósticos mais eficazes.
Ainda na Mesa Redonda 1, a Médica MSc. Dária Barroso Serrão das Neves, da UEA, vai expor dados sobre “Rastreamento de Chlamydia trachomatis em mulheres jovens de 14 a 25 anos na cidade de Manaus” e o doutor Mauro Cunha Ramos, do Hospital Fêmina de Porto Alegre (RS), falará sobre a importância e oportunidades de intervenção nos casos de Chlamydia trachomatis. A Mesa Redonda será moderada pela Doutora Adele Benzaken, do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde. Ainda no horário da manhã, na Mesa Redonda 2: Neisseria gonorrhoeae, Dr Willian Antunes Ferreira (Fuam) será o moderador do grupo que abordará temas como “Métodos de diagnóstico laboratorial e teste de suscetibilidade a antibiótico para Neisseria gonorrhoeae”, que será apresentado pela MSc. Thiele Pereira da Cruz. Já a MSc. Lisléia Golfetto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) abordará o tema “Neisseria gonorrhoeae e a vigilância à resistência aos antimicrobianos no Brasil”.
No horário da tarde as discussões iniciam às 14h com a Mesa Redonda 3: sobre HPV, vírus do papiloma humano. Coordenada pelo MSc André Leturiondo (Fuam), a primeira palestra será com a MSc. Monique Figueiredo Teixeira (Ufam) sobre “Infecções pelo HPV em mulheres vivendo com HIV em Manaus”. Dra Kátia Torres (FCecon) falará sobre a epidemiologia da infecção pelo HPV no Amazonas; e Dra Eliana Wendland, da Universidade Federal de Ciências da Saúde do Rio Grande do Sul (UFCS-RS), apresentará “Estudo Nacional de prevalência do HPV”. A última Mesa Redonda do evento (Mesa 4) terá como tema Candida ssp e Úlceras genitais. Dra Fabíola Rodrigues (Fuam) coordena a sessão que terá como palestrantes: MSc. Karoline Lô Jimenes com o tema “Caracterização genotípica e perfil de sensibilidade a antifúngicos dos agentes de candidíase vulvovaginal – CVV na Fuam”; Dra Maria Zeli Moreira Frota, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), falando sobre “Resistência às drogas antifúngicas”; e a MSc Cynthia Ferreira (Fuam), que encerra o evento com o tema “Diagnóstico Molecular de úlceras genitais: Experiência da Fuam”.
As Infecções Sexualmente Transmissíveis
Conhecidas inicialmente como Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) é a nova nomenclatura adotada pelo Ministério da Saúde para designar um grupo de infecções causadas por vírus, bactérias e outros microrganismos que acometem pessoas e que são transmitidas principalmente por meio de contato sexual, sem proteção, com uma pessoa infectada. As IST também podem ser transmitidas da mãe para o bebê na gestação, parto ou amamentação.
A nova terminologia – “Infecções” ou invés de “Doenças” – visa dar ênfase à possibilidade da pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas.
Epidemia de sífilis no Brasil
A pesquisadora Cynthia de Oliveira Ferreira destacou que o País vive uma epidemia de sífilis desde o ano passado, ocasionado pela falta de medicamento penicilina em todo o País. Nesse ano, o balanço epidemiológico da Fuam registrou, até julho, 375 casos de sífilis.
“A sífilis é um grande problema no Brasil devido a ausência da matéria-prima para a penicilina. O que percebemos é que o caso é complicado, e tem aumentado muito não só aqui, mas em todo o Brasil. Registramos 703 casos em 2015 aqui na Fundação Alfredo da Matta”, explicou a especialista.
Para qualquer IST a automedicação é perigosa, diz a pesquisadora, e além disso fica transmitindo a doença para outras pessoas.
Se você suspeita ou está acometido de uma Infecção Sexualmente Transmissível, deve buscar atendimento no próprio Alfredo da Matta, também nas Unidades Básicas de Saúde (USB), policlínicas e na Fundação de Medicina Tropical (FMTM).
Frase
“Os trabalhos desenvolvidos no simpósio foram feitos com dinheiro público e precisamos dar uma resposta à sociedade”, diz Cynthia de O. Ferreira, Pesquisadora da Fundação Alfredo da Matta (Fuam).