Sorotipo 1 do vírus da dengue é identificada Zona Oeste e Centro-Oeste de Manaus
Esse tipo de virus causou epidemia em 1998 e caso não haja prevenção e controle, pode retornar
Um projeto de pesquisa de estudantes de farmácia do Amazonas identificou o ressurgimento do sorotipo 1 do vírus da dengue em duas zonas de cidade. Esse sorotipo causou epidemia no ano de 1998 e pode voltar à tona caso não haja prevenção e controle.
Os trabalhos de pesquisa dos estudantes do último período do curso de farmácia José Carlos Areosa Alves e Sarkia da Silva fazem parte de um trabalho mais amplo desenvolvido com recursos do Ministério da Saúde e tem parceria da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado.
De acordo com a orientadora da pesquisa, a infectologista pediatra Lúcia Alves da Rocha, a partir do momento que se identifica o ressurgimento, poderá se adotar medidas de prevenção do controle dos vetores e agir com maior rigor para evitar que haja a circulação e transmissão.
De acordo com o José Carlos, foram 69 amostras analisadas e apenas duas foram confirmadas como o sorotipo 1. Um caso na Zona Oeste e outro na Centro-Oeste. “Ainda temos mais amostras para analisar, mas não há porque ficar desesperado”, disse.
O bolsista explicou que a parte na pesquisa dele era identificar qual o sorotipo está circulando pela cidade. Até o momento foi identificado, em todas as áreas da cidade, o sorotipo 4, que é a forma mais branda.
De acordo com o bolsista e a orientadora, crianças que não tiveram dengue na epidemia de 1998 correm o risco de ter caso não haja prevenção e controle do sorotipo 1.
Diante dos resultados, que ainda não são conclusivos, o jovem pesquisador orienta que ações educativas no combate ao Aedes aegypti sejam realizadas em todas as zonas da cidade para evitar um futuro surto da epidemia.
A estudante Sarkia Silva analisou amostras para saber se muitas pessoas já tiveram dengue por mais de uma vez na cidade. Por motivos de recursos, a jovem ainda não concluiu a pesquisa. “A gente já consegue identificar as populações de risco, que são de 10 a 14 anos e a população feminina, mas também depende da zona da cidade”, explicou.
Iniciação científica
O Amazonas registrou 3.686 casos prováveis de dengue entre dia 3 de janeiro a 2 de abril deste ano. O projeto de pesquisa foi apresentado no VI Congresso de Iniciação Científica , realizado pela Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado. Durante o congresso 47 trabalhos foram apresentados.
Vacina contra a dengue
A primeira e única vacina contra Dengue aprovada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a Dengvaxia, estará disponível em Manaus, a partir de hoje. Indicada para pessoas de 9 a 45 anos, ela previne contra os quatro sorotipos existentes da doença. Ainda não há previsão de compra do produto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por isso, a imunização está sendo feita apenas nas clínicas privadas. Na capital amazonense, está disponível na Clínica Vacinar, no Vieiralves.
A vacina é aplicada em três doses, com intervalo de seis meses entre elas. O medicamento foi desenvolvido pelo laboratório francês Sanofi Pasteur. Os estudos levaram quase 20 anos e os testes, aplicados em áreas endêmicas, envolveram 40 mil pessoas, em 15 países. No Brasil, participaram cerca de 3.500 pessoas. A aprovação da vacina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ocorreu em dezembro de 2015.
A OMS estima que 3 bilhões de pessoas estejam vivendo em áreas com risco de infecção por dengue, doença que é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Anualmente, 50 milhões de casos são registrados no mundo, sendo que 500 mil são considerados graves e 21 mil resultam em morte. A Dengue afeta mais de 120 países.
Os interessados devem ligar para 3584-0302. Cada aplicação da vacina está sendo feita a R$ 270.