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A Crítica
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Tensão entre Rússia e Ucrânia pode afetar preços de alimentos no Amazonas

Setor agropecuário vive alta de 212% no valor do principal insumo de fertilizantes no cenário de conflito na Rússia, o que pode elevar o preço dos alimentos

Publicado em 03/02/2022 às 01h32 · Atualizado em 08/03/2022 às 16h47
Tensão entre Rússia e Ucrânia pode afetar preços de alimentos no Amazonas
Foto: AFP

Enquanto os Estados Unidos aumentam o tom e ameaçam impor sanções à Rússia, o setor agropecuário mundial – incluindo o amazonense – já se preocupa com a possível alta do valor dos alimentos.

O principal medo está ligado à importação do potássio, mineral utilizado para fertilizar plantas na agricultura e pastagens para a pecuária. A Rússia é responsável pelo abastecimento de mais de um terço do setor, com as minas Uralkali e EuroChem.

“Esse possível conflito na Rússia pode vir a agravar o quadro de aumento de preço que já ocorre desde o ano passado”, afirma Muni Lourenço, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea).

O cloreto de potássio (mistura do mineral com cloro) é um dos principais fertilizantes do setor. Números oficiais do mercado mostram que esse composto custava R$ 1.317 em janeiro passado. Porém, sofreu uma alta de 212% em apenas um ano, elevando o valor para R$ 4.204,20 até o último dia 28 de janeiro.

“Praticamente triplicou o preço em 2021. Estamos acompanhando toda essa crise com preocupação. A projeção de especialistas é que essa alta deva continuar até o fim desse primeiro semestre”, comenta o presidente da Faea.

Além da crise na Rússia, que pode colocar o valor do potássio ainda mais alto, o mineral já é impactado pela redução de demanda durante a pandemia, além de outra crise geopolítica envolvendo um ‘pequeno’ país com 10,5 milhões de habitantes.

Belarus, vizinho da Rússia, sofreu sanções dos Estados Unidos e da União Europeia no ano passado após o presidente Aleksandr Lukashenko ser reconduzido ao cargo pelo sexto mandato seguido, acusado de ser “o último ditador da Europa”.

Potássio no Amazonas

Muni Lourenço diz que uma alternativa para a crise que se avizinha é o avanço na autorização da exploração de depósitos de potássio encontrados no Amazonas, como em Autazes.

Atualmente a empresa Potássio do Brasil é a mais interessada na jazida, porém está desautorizada por uma decisão da Justiça, já que no local existem 44 aldeias do povo indígena Mura. Em 2013, uma estimativa da empresa indicavaCerca de 95% do potássio produzido no mundo é utilizado como fertilizante agrícola.

“A Justiça determinou que houvesse consulta a esses indígenas e ia ser feita, mas foi suspensa por causa da pandemia. Porém, estamos confiantes que irá ocorrer ainda esse ano”, afirma Andreson Cavalcante, prefeito de Autazes, favorável à exploração.

Um estudo realizado por pesquisadores do Brasil e Estados Unidos atestou em 2018 que a exploração do complexo traz riscos ao solo, à estrutura geológica, a vegetação, aos aquíferos e à drenagem da superfície. O trabalho é assinado por Fernanda Frizzo Bragato, Jocelyn Getgen Kestembaun, Greta Cristini, Diana Kearney e Paulo Victor Schroeder.