Manaus sex, 23 out
A Crítica
Manaus

Terra de oportunidades para quem quer trabalhar

A vida como ambulante pelo centro de Manaus nas horas vagas, ajuda Fredson Galvão a mudar um pouco do contexto do trabalho no hospital. Como auxiliar de limpeza, ele trabalhou na linha de frente da pandemia da covid-19, situação que mudou a forma como ele vê a vida na capital amazonense

Publicado em 23/10/2022 às 16h35 · Atualizado em 23/10/2022 às 17h08
Terra de oportunidades para quem quer trabalhar
Foto: Junio Matos

Não são poucos os vendedores ambulantes que transitam pelo centro comercial de Manaus e nos demais pontos da cidade diariamente, havendo aqueles que vivem em prol dessa atividade e outros que adentraram neste mercado para complementar a renda familiar. 

Dentro deste segundo grupo está Fredson Galvão da Silva, um morador do bairro Cidade de Deus, zona Norte, que trabalha como auxiliar de lavanderia no Hospital Santa Júlia, no Centro de Manaus.

Nas horas vagas, Fredson se lança no mundo dos vendedores ambulantes e na frente de grandes lojas vende os seus mais variados produtos. Para ele, que está neste mercado há pouco menos de um ano, ainda que haja inúmeras dificuldades, a vida como ambulante tem suas vantagens, principalmente para alguém como ele, que já possui uma renda fixa.

Ele define as chances que a cidade oferece como #Oportunidade #Trabalho #Prosperidade. 

“Ter uma renda hoje em dia é complicado, então você ter um extra ajuda muito. Tô aqui há alguns meses e tem me ajudado a fechar as contas. Tem dias que você tira apenas R$ 50, mas tem dia que sai R$ 200, então se for somar no fim do mês, esse valor já ajuda bem”, afirma o ambulante.

Para Fredson, a vida como ambulante pelo centro de Manaus o ajuda também a mudar um pouco do contexto do trabalho no hospital. Como auxiliar de limpeza, ele trabalhou na linha de frente da pandemia da covid-19 em Manaus, uma época que moldou a forma como ele vê a vida na capital amazonense.

“Vi coisas assim que ninguém chega a acreditar, e que eu nunca imaginei na minha vida. [Durante a pandemia], estava na linha de frente, vi pessoas chegando boazinhas ali e morrerem. É muita tristeza. De início a gente não sabia como lidar com tudo que estava acontecendo e é algo que fica marcado em você, mesmo que não queira. São imagens que a gente não esquece”, relata.

Terra de oportunidades

Voltando à vida de ambulante, Fredson acredita que o trabalho que vem desenvolvendo serve para comprovar também a ideia que em Manaus, seja local ou forasteiro, para trabalhar basta apenas querer. 

“Manaus é uma cidade muito boa, que produz e a gente pode trabalhar e prosperar. É uma coisa de saber trabalhar, porque se você chega aqui e não saber se virar, se expressar, não vai conseguir nada. Tem que ser diferente daqueles que só sabem roubar, matar. aqui tem várias maneiras, e querendo dá para trabalhar”.

No entanto, além dos pontos positivos, ele também alerta sobre situações ruins presentes na capital que completa aniversário na próxima segunda. Segundo ele, antes de se falar de questões como segurança, é necessário questionar a atuação dos políticos locais, que segundo ele, só pensam em si mesmos.

“Tem várias coisas [negativas em Manaus], começando por nossos governantes que só pensam neles e não na gente, o trabalhador, que só quer ganhar o pão de cada dia. Tem sempre alguém querendo atrapalhar”, afirma.

“Não acho que posso dizer que existe uma má segurança, mas também não posso dizer que é boa. tem que saber se cuidar, saber como é o sistema para não ser assaltado”, finaliza Fredson Galvão.