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Vanda Witoto demanda rapidez em demarcação de territórios indígenas

Em entrevista concedida nesta quarta-feira (5) ao A Crítica, pontuou que além de discutir sobre a preservação da floresta, o mundo também precisa olhar para os povos originários que vivem e cuidam da biodiversidade por meio do estilo de vida passado pela ancestralidade

Publicado em 05/04/2023 às 23h19
Vanda Witoto demanda rapidez em demarcação de territórios indígenas
Foto: Jeiza Russo

“É preciso priorizar a demarcação do território dos povos indígenas”, disse a ativista Vanda Witoto em resposta ao que considera a pauta mais urgente para os povos originários. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (5) ao A Crítica, pontuou que além de discutir sobre a preservação da floresta, o mundo também precisa olhar para os povos originários que vivem e cuidam da biodiversidade por meio do estilo de vida passado pela ancestralidade.

Para Witoto, é preciso inverter os olhares de como cuidar da Amazônia. “É necessário que esse mundo olhe para a gente a partir dessa realidade: dos povos originários. São eles que mantêm essa floresta de pé. Ficam nesse diálogo de mudanças climáticas, achando que preservar somente a floresta é algo que vai trazer uma mudança efetiva, enquanto as pessoas estão morrendo impactadas pelas injustiças ambientais, pela exploração de mineração, a falta de acesso à água potável. Para cuidar da Amazônia, é preciso cuidar primeiro das pessoas, porque são elas que vivem e cuidam das flores”, pontuou.

A ativista afirma que, além da floresta, é preciso cuidar dos povos que nela vivem. “Se o mundo olha para os nossos territórios e para o nosso país a partir de uma perspectiva da floresta, é preciso reconhecer que os povos indígenas são os principais atores de mitigação, por meio do modo de vida com o cuidado da terra, do rio, da biodiversidade. O mundo precisa enxergar e reconhecer que precisa cuidar da vida dessas pessoas. Não somente com discursos a nível internacional. Eu tenho dito que, para manter essa floresta em pé, é preciso cuidar da vida da população ribeirinha, quilombola e indígena”, declarou.

Segundo Witoto, a garantia do território indígena é o ponto de partida da luta dos povos originários para que se diminua o avanço sobre os territórios e também sobre a Amazônia. Onde os territórios indígenas estão é onde tem área preservada e mesmo diante disso há uma grande investida desse modelo econômico, como mineração, agronegócio, que tem impactado dentro do território indígena como vimos com os povos Yanomamis. A gente precisa priorizar a demarcação dos territórios indígenas, para que se garanta a qualidade de vida”, finalizou.

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