Venezuelanos celebram origens com caminhada e evento de integração
Parte da população atualmente abrigada na cidade teve a oportunidade de celebrar suas origens e resiliência frente aos desafios do deslocamento forçado
Promover a paz e integração dos povos foi a intenção de venezuelanos e brasileiros em dois eventos realizados na manhã deste sábado (22), no Centro da cidade, em alusão ao Dia Mundial do Refugiado, que aconteceu no último dia 20.
Os eventos foram organizados pela Caritas Arquidiocesana de Manaus em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur). O primeiro foi a Caminhada #ComOsRefugiados, que teve concentração às 8h no Largo São Sebastião, em frente ao Teatro Amazonas, e início às 8h30, com um grupo seguindo até o Colégio Brasileiro Pedro Silvestre – a finalidade, simbólica, visou agradecimento à acolhida dos brasileiros.
Na escola estadual, durante toda a manhã foram realizadas atividades lúdicas para refugiados e migrantes venezuelanos, como danças e outras manifestações culturais típicas da Venezuela. Durante o encontro, foram oferecidas atividades especiais para crianças, como pula-pulas e pintura de rosto e também houve distribuição de alimentos.
De acordo com dados da Polícia Federal, o Amazonas é o segundo estado com maior número de solicitações de refúgio de venezuelanos, totalizando 16 mil até o final de abril de 2019, atrás somente de Roraima, que conta com cerca de 99 mil pedidos de refúgio. Globalmente, mais de 4 milhões de refugiados e migrantes saíram da Venezuela, sendo que o Brasil é o 5° país mais procurado por eles na região.
Foram parceiros do evento a UniNorte, Ministério Público do Trabalho, Universidade Paulista (Unip), Embaixada da França, Rádio Rio Mar, Comissão Municipal dos Direitos dos Refugiados e Imigrantes, Rede Um Grito pela Vida, Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Nilton Lins e Pastorais Sociais.
“Queremos promover só a coexistência pacífica, que é a integração dos povos, a paz, para que cada vez mais possamos garantir os direitos humanos dessas pessoas que foram forçadas a sair de suas casas, de seus países”, disse Victoria Hugueney, assistente de informação pública da Agência da ONU para Refugiados.
O indígena warao Hector Calderon, 42, era só felicidade no evento no Colégio Brasileiro Pedro Silvestre. “Para nós que somos warao venezuelanos é um dia feliz, para nós conhecermos as outras pessoas, ver novamente a nossa cultura”, disse ele, que está há 3 anos na capital amazonense.
Em números
2001
É o ano em que começou a ser celebrado, em todo 20 de junho, o Dia Mundial do Refugiado, seguindo uma resolução aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas.