400 mil vidas perdidas
A tragédia da pandemia de covid-19 continua piorando a cada dia. No Brasil, a crise sanitária alcançou, ontem, a assustadora marca de 400 mil vidas ceifadas. É como se desaparecessem todos os habitantes dos quatro municípios mais populosos do interior do Amazonas – Parintins, Itacoatiara, Manacapuru e Coari. Uma tragédia sem precedentes na história recente do País, que levanta muitas questões a respeito do que foi feito, do que não foi, e do que poderia ter sido feito para tornar o cenário menos catastrófico. São 400 mil famílias arrasadas, sonhos interrompidos, projetos destruídos.
Tal marca amplia ainda mais o anseio por respostas. É fato que o Brasil se posiciona entre as nações com a pior condução da crise. E isso não é mera opinião. Com apenas 2,7% da população mundial, o País concentra 12,6% de todos os óbitos em decorrência do novo coronavírus. Não resta dúvida de que houve sérios equívocos em todas as esferas sobre as quais recai algum grau de responsabilidade quanto ao enfrentamento da pandemia, mas principalmente no âmbito federal, que deveria ter concentrado a coordenação geral do combate à crise. Impossível prever os resultados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que avalia ações e omissões de autoridades. Mas, independentemente da investigação em curso, a história julgará os responsáveis.
Nos últimos dias, a média de óbitos no País tem dado sinais de recuo, com queda também nos números de internações e de pessoas infectadas, o que tem motivado várias cidades a relaxar gradativamente as medidas preventivas de distanciamento social. Mas ainda é muito cedo para afirmar que começamos a deixar o atoleiro. A terceira onda que assolou certas partes do mundo ainda ameaça chegar ao Brasil, segundo apontam as projeções de diversos especialistas. Nossa principal arma e esperança residem na vacinação. Mas também não estamos nada bem nesse aspecto.
O Brasil é apenas o 57º em doses aplicadas a cada 100 habitantes, segundo dados compilados pela Universidade de Oxford. Neste momento, a população vive uma grande incerteza a respeito da continuidade da vacinação, diante da falta de vacinas, da dificuldade para obtenção de doses no mercado internacional e da enorme burocracia nacional, que tem travado iniciativas de importação de imunizantes. São dificuldades que o País precisa superar se quiser vencer a guerra contra o vírus.