Manaus qua, 4 nov
A Crítica
Opinião

A aflição de viver em Manaus nos dias atuais

Relato de pessoas em situação de mal-estar – dificuldade para respirar, náuseas, dor de cabeça, olhos inflamados e avermelhados, elevado sintomas de fadiga – ocuparam as conversas de grupos nas redes sociais, principalmente no WhatsApp.

Publicado em 12/10/2023 às 13h20
A aflição de viver em Manaus nos dias atuais
Foto: Junio Matos

As condições climáticas somadas a ações criminosas em plena realização no Amazonas e na Amazônia transformaram a vida em  dias de pesadelo e de sofrimento. A Manaus de quarta-feira (11) pode ser percebida e sentida. Relato de pessoas em situação de mal-estar – dificuldade para respirar, náuseas, dor de cabeça, olhos inflamados e avermelhados, elevado sintomas de fadiga – ocuparam as conversas de grupos nas redes sociais, principalmente no WhatsApp.

Os sintomas estão sendo agravados enquanto o fogo continua queimando árvores e animais. A fiscalização, anunciada com pompa, não consegue fazer frente aos focos de incêndio e a seca elevada agrava mais a realidade em que todos estão inseridos, sem perder de vista quais os segmentos da sociedade que mais sofrem com as consequências das atitudes humanas. São os mais pobres, aqueles que permanecem à margem das ações de inclusão socioeconômica que lhes garanta dignidade.

A parcela mais abastada ainda que experimente os problemas dessa atualidade tem alternativas para tomar decisão, pode pagar o preço cobrado por alimentos, água, conta de energia elétrica ou até mesmo viajar e permanecer em lugares onde é possível respirar melhor. Os mais vulneráveis estão sendo mostrados por reportagens fotográficas que falam da dificuldade de adquirir alimentos, a água para consumo humano, de ir e vir, os doentes sem possibilidade de receber assistência médica, idosos e crianças afetados por essa combinação ameaçadora da vida.

Permanece a pergunta: o que mais precisa acontecer para que medidas efetivas de longo prazo sejam adotadas? Nessas semanas em que o Amazonas convive com a seca de rios, mortes de espécies aquáticas, entre as quais 140 botos, perda de plantios e aprofundamento da pobreza dos pobres na maioria dos municípios, o que se acompanha são administrações municipais promovendo festas como se nada estivesse ocorrendo. Está e é grave. Por que destinar verba pública para contratar cantores a preço elevado enquanto famintos pedem socorro?

Os arranjos para, aparentemente, indicar normalidade no cotidiano do Amazonas, não dão conta, pois, o drama presente é bem mais intenso, atropela os mais desatentos e os que não querem saber dele. A sensação vivida em Manaus ontem é um exemplo concreto da aflição da maioria dos habitantes da cidade.