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A Crítica
Opinião

A Amazônia e os discursos governamentais

Embora governos estaduais e municipais se manifestem como defensores de projetos de sustentabilidade ecológica, vários programas nada ecológicos são implantados com apoio do dinheiro público

Publicado em 19/05/2023 às 23h23 · Atualizado em 20/05/2023 às 09h02
A Amazônia e os discursos governamentais
Foto: Carlos Fabal/AFP

A série de encontros e conferências internacionais sobre o clima oferece repetição de discursos de líderes mundiais e de estudiosos a respeito da importância que a conservação das florestas tem nos esforços de evitar tragédias humanas mais graves. Em todos esses eventos, a Amazônia é referenciada como região estratégica para o Brasil e o mundo e torna-se cada vez mais urgente enfrentar os processos de exploração e de modelos de desenvolvimentos em realização no território amazônico.

Em paralelo aos protocolos oficiais e aos alertas da comunidade cientifica, o que ocorre cotidianamente nos estados amazônicos é o reforço a ações de devastação. Embora governos estaduais e municipais se manifestem como defensores de projetos de sustentabilidade ecológica, vários programas nada ecológicos são implantados com apoio do dinheiro público.

Na área habitacional, voltada à classe média baixa e aos sem-moradia, uma das primeiras providências é a retirada completa da vegetação, elimina-se as áreas verdes para abrigar centenas de apartamentos num imenso descampado. O conhecimento cientifico pode e deveria ser acionado pelos governos para planejar e executar programas de habitação e de paisagismo nas cidades.

Nas áreas mineral e hídrica, a Amazônia é perseguida, invadida e envenenada por grupos poderosos que têm como preocupação única explorar e comercializar esses recursos. Não importa o que acontecerá com as comunidades, com os efeitos dessas ações para o conjunto da Natureza amazônica, ganha força nesse tipo de negócio a financeirização de todos os componentes da floresta.

A adoção de mecanismos que de fato funcionem para assegurar os acordos internacionais e a legislação do Brasil são reivindicados como um dos instrumentos para assegurar outro modelo de desenvolvimento ao país e, particularmente, a Amazônia. A outra iniciativa refere-se a permanente vigilância da sociedade civil organizada e das instituições comprometidas com a ecossustentabilidade nacional e regional para fazer frente aos poderosos interesses transnacionais que estabelecem a lógica de uso dos bens da Amazônia e garantem nas agendas de governo a expressão desse posicionamento.

O acesso ao conhecimento sobre o complexo amazônico é outro desafio às sociedades brasileira e dos estados amazônico bem como aos estudantes desde a primeira fase. Prevalece uma ideia reproduzida em vasta literatura que coloca a região como subcidadã e, por meio dela, as ações de espoliação e de saque se realizam com o nome de desenvolvimento regional.