A arte, na educação, transforma vidas
Por Melissa Toledo e Turenko Beça
A arte, no ensino da arquitetura e urbanismo, funciona como um agente transformador na formação e na prática profissional em suas diferentes formas. A arte, no ensino de arquitetura e urbanismo, não deve se centrar em uma única temporalidade e seus manifestos, mas mesclar o que cada manifestação atemporal tem como aspectos positivos para o conhecimento, salientando que cada sociedade tem suas produções socioculturais e a sua temporalidade.
A arte é expressão e, também, manifestação cultural. A arte, enquanto expressão, capacita o indivíduo a se colocar por meio de diferentes linguagens, formas e manifestações. César Aira, quando se refere a importância da arte para a evolução humana, escreve que: a arte continua sendo o melhor campo para a prática e experimentação da velha inteligência, que se impunha o objetivo de saber como funcionavam as coisas e como funcionava o mundo. (AIRA, 2001, p 258).
Frederico Morais, (1970, p 49) em seu belo texto Contra a arte afluente, nos diz que “Tudo pode transformar-se em arte, mesmo o mais banal evento cotidiano”. Zigmunt Bauman aponta a visão modernista de Le Corbusier sobre a arquitetura: A arquitetura, de acordo com Le Corbusier, é — como a lógica e a beleza — inimiga nata de toda confusão, da espontaneidade, do caos, da desordem; a arquitetura é uma ciência afim da geometria, a arte da platônica sublimidade, da ordenação matemática, da harmonia; seus ideais são a linha contínua, as paralelas, o ângulo reto; seus princípios estratégicos são a padronização e a pré-fabricação.
Por outro lado, no mesmo texto (BAUMAN, 1999, p 49) ressalta o espírito livre, artístico e criativo de Oscar Niemeyer, quando escreve que “Poucos urbanistas consumidos pela paixão modernizadora tiveram um campo tão vasto de ação como o que se ofereceu à imaginação de Niemeyer.”
Nesse mundo globalizado, pós-moderno, onde vivemos “glolocalmente” – vivemos em lugares específicos, mas as trocas globais são constantes, não existem mais fronteiras geográficas nem temporais, a arte se confunde com a vida, a existência humana. E a arte como cultura celebra o conhecimento e autoconhecimento da própria existência humana.
Os professores de Artes visuais, História da Arte e da Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo, têm a responsabilidade e a missão de contribuir na caminhada dos discentes, tornando-os cada vez mais críticos, conscientes de seu lugar no mundo. Devem, a partir de conceitos universais, apresentar as diferenças tão fundamentais que individualizam as pessoas e agregam valor cultural em sua vida e na prática profissional.
É necessário trabalhar a raiz que permeia a cultura local, assim como as relações que existem entre o local e global. Essa arte e cultura podem ter influência fundamental na percepção do aluno acerca de seu lugar no mundo, além de desenvolver de modo indelével seu arcabouço teórico.
Desse modo, as artes colaboram com a formação do pensamento, da criatividade, da percepção e da sensibilidade e, consequentemente, do desenvolvimento do senso crítico de um estudante. A arte deve ser trabalhada de forma integrada, favorecendo o desenvolvimento de suas capacidades criativas, de acordo com a faixa etária ou sua profissão em formação, como o arquiteto e urbanista.
Sobre os autores: Melissa Toledo é arquiteta e urbanista, professora e coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Santa Teresa. Turenko Beça é artista visual, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Santa Teresa.