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A Crítica
Opinião

A busca por empregos e direitos

O pleno emprego no Brasil apenas será alcançado com pesados investimentos em educação.

Publicado em 01/08/2025 às 08h59
A busca por empregos e direitos
Foto: Agência Brasil

Mesmo com juros altos, inflação resistente e incertezas políticas, o nível de empregos no Brasil segue em alta.Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a taxa de desocupação no trimestre encerrado em junho é a menor já registrada desde que o instituto começou a fazer a pesquisa, em 2012, apenas 5,8%.
O número de pessoas ocupadas é recorde – 102,3 milhões de brasileiros empregados, sendo 39 milhões com carteira assinada.

A notícia é boa, mas não pode mascarar o fato de que mais de seis milhões de brasileiros ainda estão à procura de trabalho, e não encontram. Além disso, dos ocupados, mais de 38 milhões atuam na informalidade, sem nenhum direito trabalhista assegurado.
Sem mencionar os quase 26 milhões que trabalham por conta própria. São pessoas que não contam com direitos como férias, FGTS ou décimo terceiro salário.

O nível de ocupação nunca esteve tão bom, mas precisamos melhorar a qualidade do emprego.

Enfim, o elevado índice de empregabilidade não pode ser desculpa para minorar esforços por uma situação que o Brasil nunca conheceu, o pleno emprego: quando todos os que procuram labuta remunerada e estão em condições de trabalhar, encontram ocupação com pouca ou nenhuma dificuldade. Nesse cenário, a demanda por trabalho é igual ou superior à oferta de mão de obra, resultando em níveis baixos de desemprego.

Parece uma equação simples, mas que se complica quando consideramos os diferentes níveis de qualificação necessários para atender toda a demanda por trabalhadores, algo só alcançado em países como Suíça e Alemanha. O pleno emprego no Brasil apenas será alcançado com pesados investimentos em educação. Investimentos que assegurem que qualquer brasileiro, mesmo os que vivem nos locais mais longínquos da Amazônia, tenha acesso irrestrito a educação de excelente qualidade, de modo que um jovem de um município como Itamarati, que decidir se tornar médico, advogado, psicólogo ou qualquer outra formação, tenha à disposição as ferramentas para se graduar sem ter que sair de sua comunidade.

Parece uma utopia, e talvez seja mesmo, mas é algo que precisamos perseguir com determinação.