Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

A cheia e a falta de planejamento

Publicado em 03/05/2021 às 12h09 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h43
A cheia e a falta de planejamento

A cada dia que passa, o risco de uma nova cheia de proporções históricas torna-se mais real no Amazonas. Na verdade, o fenômeno já é uma realidade em diversos municípios do Estado. É o caso do município de Careiro, onde comunidades como a Araçá já estão sofrendo com os efeitos do avanço das águas, com casas e ruas submersas, exigindo a atuação da defesa civil municipal. Infelizmente, ao que tudo indica, é provável que o regime dos rios esteja sendo usado por autoridades municipais apenas para angariar recursos públicos e utilizá-los com finalidades escusas. No Careiro, por exemplo, a comunidade de Araçá foi alvo de investimento R$ 6,7 milhões para execução de cobertura asfáltica, além de outras intervenções. Ainda assim, convive hoje com vias submersas, o que prejudica comerciantes, moradores e a comunidade como um todo.  

A cheia acentuada não é uma novidade. Vem ocorrendo com frequência bastante previsível nos últimos anos. Além disso, há o monitoramento permanente realizado por órgãos oficiais, com avisos regulares a respeito da possibilidade de elevação perigosa do nível dos rios. Ainda assim, quando ocorre, a cheia forte, que resulta em alagamentos de diversas sedes municipais, obrigando pessoas a deixarem suas casas, e Prefeituras a construírem pontes de madeira improvisadas para assegurar a mobilidade da população, e até mesmo a declararem situação de emergência em face do avanço das águas, passa a impressão de que estamos diante de um fenômeno inédito.  

No caso específico da comunidade de Araçá, no município de Careiro, faz-se necessária a atuação dos órgãos de controle, no sentido de verificar por que o poder público municipal não levou em conta a cheia iminente quando contratou uma despesa milionária que poderia ter sido empregada em ações que evitassem a calamidade que ora se observa.  

Já passou da hora do regime anual dos rios entrar no planejamento das autoridades, sobretudo das prefeituras mais frequentemente afetadas pelo problema. Não se pode ignorar que a falta de planejamento é um dos fatores que agrava o problema. A cheia não pode ser evitada, mas os problemas dela decorrentes, sim. Enquanto isso, milhares de famílias sofrem com situações absolutamente previsíveis que poderiam ser evitadas com algum planejamento.

Foto: Junio Matos