A destruição vem a galope
A gravidade do que está ocorrendo parece não ser percebida ou ao não ser enfrentada
O pantanal e a Amazônia estão sendo profundamente alterados pela sequência de queimadas e de outros atentados a esses ecossistemas. Os números apresentados pela mídia, as cenas exibidas, os relatos de moradores e os posicionamentos de ambientalistas e cientistas não conseguiram, até hoje, impactar para a tomada de decisão governamental quanto ao enfrentamento da situação.
A gravidade do que está ocorrendo parece não ser percebida ou ao não ser enfrentada expõe posição de cumplicidade na repetição desses atos a fim de que essas áreas, submetidas constantemente a práticas de destruição, passem a ser utilizadas em outros projetos. O País, em primeiro e, o mundo, em seguida, tendem a pagar preço alto se a opção for essa: destruir e ocupar de outra forma. Serão as comunidades humanas e não humanas que sofrerão com os efeitos desse gesto.
Já se experimenta na atualidade o resultado de décadas seguidas de ações que impactam negativamente o meio ambiente. As ondas de calor e de frio mais intensos estão presentes ampliando adoecimentos, sofrimentos e mortes em todo o mundo; enchentes e secas prolongadas arrastam milhões de pessoas ao desespero e, nos hospitais ou unidades básicas de saúde a quantidade de pacientes com problemas respiratórios, afora as ocorrências pela Covid-19, é expressiva, principalmente crianças e idosos.
A irresponsabilidade e a omissão juntas produzem o atual quadro caótico, o vale-tudo no qual lugares e pessoas estão sendo usados. O conjunto de leis que foram elaboradas em anos de debates para lidar e oferecer soluções mais justas e inteligentes a esses casos vem sendo sistematicamente ignorado. É como se o Brasil estivesse em desgoverno e aqueles que necessitam de um ambiente com essa feição levam, sem dificuldades, os seus projetos adiante.
Nas capitais e nas outras cidades, áreas de proteção ambiental, margens de igarapés e áreas verdes estão sendo invadidas para funcionarem com estacionamentos, postos de lavagem de carros ou de outros negócios. São empreendimentos que passam por cima do escopo legal para serem estruturados. A ação de impedimento, a partir da vigência das leis, não se realiza enquanto os micros espaços de refúgio, de alento à respiração e à retalhos da sanidade humana estão sumindo a passos largos.