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A Crítica
Opinião

A EMERGÊNCIA DO “ENSINAR COM AMOR”

Publicado em 05/03/2022 às 11h30 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h01
A EMERGÊNCIA DO “ENSINAR COM AMOR”

A Campanha da Fraternidade deste ano, instalada nacionalmente na quarta-feira (2), trata de tema necessário para pensar o momento presente. Fraternidade e Educação. O lema é ‘Fala com sabedoria, ensina com amor’. Compreender como emergência a valorização do princípio da fraternidade e da educação baseada na sabedoria e no amor tornou-se crucial tanto à sociedade brasileira quanto à mundial.

Na maioria dos registros, o modelo de educação prevalente é o da competitividade amparado por uma série de instrumentos estabelecidos pelas políticas e programas que são reproduzidos em documentação definidora de normas e regras. Essas estão marcadas pelo ideário de competência baseada em produtivismo e notas elevadas. Quem não cabe no molde tende a ser castigado porque é exposto como ser inapto.

O triunfo do capitalismo fez da vida e de todas as áreas do viver um tipo de mercadoria. Educação e saúde são exemplos de como acumular fortunas com ofertas de oportunidades a aprendizes em tempo relâmpago e distanciamentos cada vez maiores. Privatizadas em pensamento e na realidade, esses campos exigem cada vez mais recursos financeiros para quem deseja estudar e fazer tratamento médico.

Mesmo os espaços públicos vêm se tornando braços da determinação privativista, estabelecendo tabelas de preços aos públicos. A Campanha da Fraternidade, sob responsabilidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é um desses lugares à reflexão e tomada de posição em favor de outra possibilidade de educar/ensinar/aprender.

A mobilização da CNBB, com a CF-2022, é na promoção de diálogos a partir da realidade e na proposição de caminhos em favor do humanismo integral e solidário. Escutar, discernir e agir na educação constitui-se em um dos pilares de enfrentamento a toda forma de violência que a sociedade mundial e os povos mais vulneráveis vivem hoje. Fazer da sabedoria um instrumento da fala, o que implica em escuta profunda, e do ensino uma prática amorosa são manejos a serem aprendidos, reaprendidos, apreendidos como exercício cotidiano.

Os ingredientes da CF deste ano têm a capacidade de influência e da consequente possibilidade de mudança de posturas no ambiente da educação quer seja aquele que o imaginário remete imediatamente –as escolas, os professores, os estudantes – ou mais amplo englobando todos os setores e as atuações das pessoas nos diferentes lugares até porque famílias, ambientes de trabalho, de lazer, mídia são as outras escolas.