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A Crítica
Opinião

A enchente e o suporte da ciência

Por muitas décadas, o que se constata é a postura de esperar e no momento em que as águas começaram a ocupar os espaços as providências são tomadas quase a toque de caixa

Publicado em 17/05/2022 às 10h05
A enchente e o suporte da ciência
Foto: Arquivo A CRÍTICA

O Amazonas e a cidade de Manaus, em particular, podem fazer muito mais para lidar com a enchente dos rios. Informações técnico-cientificas possibilitam hoje a adoção de uma série de procedimentos que tornariam menores os impactos negativos desse processo natural, desde que feito um trabalho antecipado e conjunto entre o poder público e os comunitários envolvidos.

Por muitas décadas, o que se constata é a postura de esperar e no momento em que as águas começaram a ocupar os espaços as providências são tomadas quase a toque de caixa e, não raro, de forma atabalhoada. Enchente e vazante, cheia e seca são parte do ciclo da vida na Amazônia, ignorá-los ou manter o distanciamento é manifestação que não deveria mais ocorrer, ao contrário, incentivar o conhecimento e a cultura do movimento das águas deveria ser a atitude instaurando uma relação de convivência menos dolorida nesses eventos.

A ciência e o conhecimento das populações tradicionais são aliados nessa direção, faltam nos planos de governos a inserção adequada e contínua para assegurar à questão a importância que merece ter. Sucessivamente, os governos repetem erros ou atos que não alteram a forma de lidar com as águas em abundância ou na escassez delas. A sensação que passam é da surpresa permanente embora mapeamentos científicos e relatos de comunitários ofereçam farto subsídios para outras iniciativas e, pior, em anos eleitorais, a atenção dispensada normalmente está vinculada a ações eleitoreiras.

Insistir, a cada ano, nessa performance é alimentar prejuízos e sofrimentos para muitas famílias, pequenos agricultores e comerciantes e na economia estadual e ou municipal. Somente um tipo de política afeita ao atraso e à banalização dos danos consegue tirar proveitos de acontecimentos dessa ordem. O Amazonas e a capital do Estado poderiam ser referências no trato da enchente/vazante e da cheia/seca se considerasse os conhecimentos científicos e investissem cada vez mais na formação de recursos humanos especializados nessa área nos diferentes campos de atuação.

A água perpassa todos as áreas de conhecimento, é inter e transdisciplinar, por isso a necessidade de ampliar e qualificar profissionais e pesquisadores a fim de instaurar em nível estadual/regional níveis de excelência para atuarem nesse segmento com criatividade e competência, alterando a maneira de ver, sentir e agir no movimento das águas.