A epidemia da violência no Brasil
Entre 15 a 69 anos, “a violência física passa a ser a mais comum na faixa etária de 15 a 19 anos, com 35,1% dos casos; de 49% entre mulheres de 20 a 24 anos e manteve-se acima dos 40% até os 59 anos
A pandemia da violência no Brasil está mais uma vez a amostra por meio de estudos técnicos, como o apresentado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e o Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada (Ipea). O Atlas da Violência 2024, divulgado na terça-feira (18) é um dos principais documentos na atualidade sobre o tema violência e suas interseções e a mostra apresentada acende as luzes laranja e vermelha quanto as condições de insegurança e de violência nas cidades do país.
De acordo com o Atlas, em 2022, a Bahia teve a maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes (45,1), seguida de Amazonas (42,5) e Amapá (40,5). As três menores taxas no ano vieram de São Paulo (6,8), Santa Catarina (9,1) e Distrito Federal (40,5). Os pesquisadores responsáveis pela publicação enfatizam que pelo menos 51.726 homicídios não foram registrados no período de 2012 a 2022 porque o Estado não conseguiu identificar a causa do óbito.
Para os estudiosos, o Brasil está acometido de uma “epidemia de violência sexual contra meninas”. Em 2022, entre as vítimas de zero a nove anos, a violência mais frequente foi a negligência, com 37,9% dos casos, seguida de violência sexual, com 30,4%. As “trajetórias de violência”, como cita o documento, são perceptíveis na faixa etária de 10 a 14 anos, a violência sexual foi apontada em 49,6% dos registros no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.
O que é exposto no Atlas identifica o processo de violência contra a mulher em todo a vida dessa pessoa. Entre 15 a 69 anos, “a violência física passa a ser a mais comum na faixa etária de 15 a 19 anos, com 35,1% dos casos; de 49% entre mulheres de 20 a 24 anos e manteve-se acima dos 40% até os 59 anos. Quando mais idosa, a partir dos 70 anos, a mulher sofre violência crescente com a negligência.
O Atlas pode contribuir à melhoria da segurança pública no Brasil, com suportes àqueles segmentos mais vulneráveis (mulheres, crianças, pessoas negras, LGBTQIAPN+, indígenas, jovens). O governo federal, em alianças possíveis, com os governos estaduais e municipais, tem a responsabilidade de colocar a violência em primeiro plano e inovar nas ações de enfrentamento. Cabe às demais instituições, mídia, escolas/universidades, igrejas, sindicatos, empresas e à sociedade também trabalharem iniciativas de combate a esse quadro.