A escola, os ataques e o enfrentamento
O fato é que a situação presente desestabiliza, gera pânico e propicia atos de várias naturezas manifestos pelos sinais de agravamento da doença social.
A criação de uma instância estadual/municipal para tratar da vulnerabilidade nas escolas quanto a ataques por alunos, ex-alunos e ou externos é positiva e necessária. O desafio, posto para todo o mundo e, de forma mais aproximada, ao Brasil e ao Estado do Amazonas, é compreender os riscos, traçar possibilidades de enfrentamento e adotar medidas justas de prevenção.
A presença de policiais armados nas escolas, apresentada e percebida por alguns, como uma das soluções, revela-se delicada e sem condições de atender os aspectos principais da demanda que o problema impõe. Embora a participação da área de segurança no comitê seja bem-vinda, é preciso saber qual é o tipo de formação padrão do policial e para que ele é acionado, igualmente não se vencerá em curto prazo o longo tempo do distanciamento entre o ambiente escolar e as competências policiais.
O fato é que a situação presente desestabiliza, gera pânico e propicia atos de várias naturezas manifestos pelos sinais de agravamento da doença social. O incentivo à cultura da violência, a facilidade de acesso e a atração a jogos que têm na exacerbação da violência o foco, criam torcidas, formam jogadores e fazem reféns jovens, adolescentes e crianças e a adesão ao discurso de ódio como posicionamento cotidiano somam-se a outros distúrbios que levam ao planejamento e execução desses ataques em diferentes regiões do mundo.
Espera-se que o comitê ora criado emergencialmente possa agir na direção de fomentar o debate e a constituição de atitudes e programas capazes de levar a cidade de Manaus e o Estado do Amazonas a colocar em prática um experimento sólido, moderno, inteligente e pedagógico no que se refere ao ambiente de segurança e de prevenção nas escolas, no entorno delas.
Nesse momento, é o medo que se apresenta e se posiciona entre os estudantes, os familiares, os professores, as equipes técnicas e de suporte na manutenção e no funcionamento da escola. O clima instaurado produz doença e deixa em agonia a maioria das pessoas. Restaurar o mínimo de estabilidade é fundamental à comunidade escolar a fim de que continue a desempenhar as suas atividades diárias e a desenvolver sociabilidades saudáveis. A escola é e deveria permanecer como um dos espaços privilegiados nessa construção. A posição deve ser de defesa intransigente desse aspecto e não de encolhimento dele.