À espera da revolução do gás natural
O Amazonas possui uma das tarifas de energia elétrica mais caras do Brasil, frequentemente figurando entre os primeiros lugares no ranking nacional, dependendo da categoria de consumidor e da época da medição
O gasoduto Urucu-Coari-Manaus foi inaugurado em novembro de 2009, portanto, há 16 anos, após três anos de construção. Era grande a expectativa, e também o discurso oficial: o gasoduto viria para transformar a matriz energética do Amazonas, de maneira a baratear o custo da energia. No interior, principalmente nos municípios localizados no traçado de 663 quilômetros do gasoduto – cidades como Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru e Iranduba –, a obra representava a esperança de ter energia em abundância e barata, um insumo indispensável para o desenvolvimento. Teríamos uma ampla frota de veículos movidos a gás natural veicular com uma rede de postos distribuindo o combustível em boa parte do Estado.
Hoje, sabe-se, não foi bem assim que as coisas aconteceram. O Amazonas possui uma das tarifas de energia elétrica mais caras do Brasil, frequentemente figurando entre os primeiros lugares no ranking nacional, dependendo da categoria de consumidor e da época da medição. Em 2024, a tarifa do estado foi classificada como a 5ª mais cara do país, com um valor médio de R$ 0,857 por quilowatt-hora (kWh). Por razões que precisam ser explicadas, o uso do gás natural nas usinas térmicas não teve impactos positivos na tarifa paga pelo consumidor. Além disso, apesar dos esforços do poder público, o gás ainda não está disponível para todos os que demandam o produto. A rede de postos de GNV é limitada e o custo de conversão de motores, elevado.
Agora, uma nova esperança se acende. A Companhia de Gás do Amazonas (Cigás) anunciou investimento de R$ 350 milhões na expansão da infraestrutura de distribuição do gás natural, sendo R$ 150 milhões somente neste ano. A principal obra é o gasoduto Norte-Leste, que ampliará a distribuição de gás pelos bairros de Manaus, principalmente nas zonas Norte e Leste, e no Distrito Industrial de Manaus, um dos principais consumidores.
O projeto da Cigás contempla investimentos ate 2029. Que venham os benefícios, que a tarifa de energia caia, que o GNV torne-se uma alternativa ampla e viável para os condutores. A sociedade amazonense ainda espera pela transformação prometida com a chegada do gás natural.