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A Crítica
Opinião

A estrutura da desigualdade comanda o Brasil

É essa estrutura que desafia e deve ser enfrentada a fim de promover mudanças radicais no protocolo do pensamento dos setores produtivos.

Publicado em 13/03/2025 às 08h50
A estrutura da desigualdade comanda o Brasil
Foto: Agência Brasil

No Brasil, a desigualdade se mantém estrutural e dessa maneira segue como referência. Os mecanismos  utilizados ao longo da história do desenvolvimento no país não conseguiram consolidar uma base sólida para regiões Norte e Nordeste constituírem melhores e sustentáveis indicadores de desenvolvimento socioeconômico. Não pela propalada incapacidade das populações nortistas e nordestinas de avançarem e sim pela percepção de que esses pedaços do Brasil têm um lugar e devem, por imposição, nele permanecer. É essa estrutura que desafia e deve ser enfrentada a fim de promover mudanças radicais no protocolo do pensamento dos setores produtivos.      

Dados do Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2024 – Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades mostram como as capitais do Norte e do Nordeste são mantidas distantes do padrão de desenvolvimento. O estudo, sob responsabilidade do Centro Brasileiro de Analise e Planejamento (Cebrap) e Associação Brasileira de Combate às Desigualdades (ABCD), expõe o mapa das distorções nacionais nas áreas da educação, da saúde, do trabalho, do salário, da moradia.

Um dos trechos do relatório cita que “a primeiríssima infância – abrange a faixa etária de 0 a 3 anos – não tem sido contemplada com a educação que merece”, com o não cumprimento da meta do PNE que em 2024 deveria ser de 50% da população das crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creches, em todos os estados brasileiros. Em 2023, esse valor está em 33,2%, ou seja, só atingiu 2/3 da meta e ressalta a distância maior a depender da região do país em função da desigualdade no acesso: Norte 17.1; Nordeste 26.5 Sudeste 40.2 Sul 43.1 Centro-Oeste 28.4.

Outro aspecto realçado no relatório é o da proporção de nascidos de mães crianças ou adolescentes muito desigual regionalmente. É o dobro no Norte e mais de 50% maior no Nordeste do que no Sul ou no Sudeste. A nível nacional, a proporção é 75% maior entre nascidos de mães negras do que entre nascidos de mães não negras. Nesse item, despontam as desigualdades raciais na saúde que também se manifestam na taxa de óbitos por causas evitáveis: ela é 41% maior entre homens negros do que entre homens não negros e 43% maior entre mulheres negras do que entre mulheres não negras. A gravidez precoce é elevada no Norte, 50% acima na comparação com a taxa no Sul.
As regiões Norte e Nordeste permanecem na condição de as mais desiguais, com as rendas dos 1% mais ricos sendo 36,7 vezes maior do que a dos 50% mais pobres no Nordeste e 31,6 na região Norte.