A falta de energia elétrica no Amazonas
A interrupção de energia elétrica em pelo menos seis municípios do Amazonas demonstra a deficiência e a precariedade do sistema que segue em ritmo de privatização. A questão é recorrente para Manaus, Parintins, Barreirinha, Iranduba, Manacapuru, Novo Airão, isso considerando as reclamações que fazem moradores, médios e microempresários dessas cidades.
A experiência privativista demonstra que a entrada em cena do setor privado não tem se revelado positiva aos serviços essenciais dos municípios do Amazonas, a exceção de Manaus que, nos estudos mercadológicos, aparece com elevado potencial econômico e poder de compra, pelo menos em parte da sociedade, aquela detentora de maior recurso financeiro. A concentração de riqueza tem em Manaus um dos mais maiores índices nacionais, o que corrobora com a situação de desigualdade existente na capital.
Ter o serviço de energia elétrica interrompido por horas seguidas e até mesmo por alguns dias, passou a ser um dado da realidade de milhares de moradores do Amazonas. Retirar a condição de normalidade imposta a essas famílias, aos empresários dos diferentes setores e de diferentes portes, de instituições e até unidades de atendimento à saúde é o desafio a ser enfrentado.
O parlamento por meio de suas representações (no Congresso Nacional, Assembleias Legislativas, Câmaras Municipais) poderia e deveria, por ofício, enfrentar o problema. E determinadamente agir pela implantação do que é normal. Os governos têm em suas missões perceber e resolver, adequadamente, a deficiência histórica. Ao se reunir elementos sobre a precariedade do sistema de geração e distribuição de energia elétrica, o que sobressai é a ausência de gestão contínua nesse setor e da omissão dos representantes e membros dos poderes instituídos.
Somente quando há manifestações por parte de grupos empresariais que sofrem prejuízos e de moradores que padecem com mantimentos estragados e afetações diretas em suas vidas, é que algumas sinalizações de respostas são dadas e compromissos assumidos para, logo, serem esquecidos. Nesse momento, de temperatura elevada na maioria das cidades do Amazonas, as interrupções no fornecimento de energia elétrica são recorrentes e a sensação experimentada pelas vítimas é de abandono. É o que elas relatam à mídia como pedido de socorro.
Retirar da pauta os maus-tratos que milhares de amazonenses são submetidos pela deficiência do sistema equivale a se tornar cúmplice desses maus-tratos. A privatização do sistema também não é garantia de melhoria e sim de exclusão.