Manaus dom, 8 nov
A Crítica
Opinião

A farra da verba pública e os milhões de famintos

Publicado em 06/07/2021 às 11h39 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h38
A farra da verba pública e os milhões de famintos

Monitoramentos sobre pandemia e pobreza no Brasil identificam que pelo menos 19 milhões de brasileiros passam fome, hoje, diariamente. São aquelas pessoas mais pobres que foram empurradas para uma vida de miséria nesta pandemia da Covid-19 somada à ausência de políticas públicas consistentes que pudessem apoiá-las.

A condição de famintos é uma das violações dos direitos humanos e da regra constitucional do Brasil que assegura o direito à alimentação, enquanto na prática o dispositivo legal não está garantido. É inegável que o acontecimento pandemia e a longa duração dele impactou toda a sociedade e os setores que dela participam, o econômico é um deles e o mais citado como preocupação prioritária de parcela de governantes que decidiram, a despeito de orientações e protocolos mundiais para o enfrentamento ao vírus, esticar o máximo que puderam as atividades econômicas, as aglomerações e, dessa forma, contribuíram para aumentar a infeção em meio a fragilidade da atenção médico-hospitalar.

Juntam-se aos 19 milhões de famintos juntam-se os mais de 30 milhões de pobres que viram correr para o ralo o acesso às três refeições diárias, foram tornados desempregados e os que atuavam na informalidade nem essa atividade puderem continuar desenvolvendo. São, em parte, os pedintes que ora lotam as ruas, as praças, os semáforos das cidades.

O Brasil dos famintos, dos desempregados, da explosão da informalidade, de uma sociedade mais empobrecida e mais triste é um dos retratos desse momento. A outra fotografia é dos poucos brasileiros que conseguiram ampliar riquezas pessoais em meio a expansão da miséria. Uma situação que deve merecer olhar investigador por parte das instituições e dos órgãos de controle a fim de que respostas transparentes possam ser entregues à sociedade.

Permanece necessária a pergunta sobre como agentes públicos, com remuneração dentro da escala de valores salariais baseada em teto, podem quadriplicar patrimônios sem que tenham recebido herança ou acertado em prêmios lotéricos de elevado valor. Um dos caminhos seguidos é o da corrupção a mesma prática por meio do qual recursos públicos são desviados, apropriados por uns poucos e deixam a maioria dos contribuintes e da população sem acesso a serviços básicos porque esses não existem e quando existem são precarizados e se sustentam pela falta ideia de que funcionam. Esse estado das coisas aprofunda a miséria.