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A Crítica
Opinião

A força da rede solidária

Publicado em 19/12/2018 às 10h16 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h52
A força da rede solidária

Somente hoje é possível ter um quadro mais detalhado do tamanho dos prejuízos produzidos pelo incêndio na noite de segunda-feira no bairro de Educandos. O  que provocou o fogo de longa proporção ainda está sob investigação de acordo com as primeiras informações de agentes do governo e de técnicos do Corpo de Bombeiros que estiveram no local. Há expectativa da população por esse esclarecimento sobre um evento que poderia ter sido transformado em uma grande tragédia de final de ano.

Ao mesmo tempo, é importante ressaltar a agilidade de  inúmeras no relato do  incêndio e como iniciativa da busca de apoio. A rede solidária, formada poucos minutos após a circulada pelas redes sociais da noticia sobre o incêndio, é um dos dados positivos nesse episódio e demonstra como essas redes podem  ser acionadas para mobilizar sentimentos compaixão e socorrer em curto espaço de tempo.

Religiosos, professores, moradores, jovens, artistas, numa grande corrente, utilizaram seus grupos de convivência na internet para promover a abertura de espaços que pudessem abrigar as vítimas e disseminar pedidos de doação de roupas, material de higiene, alimentos, colchões, redes. Por toda à noite, centenas de pessoas atuaram com esse propósito, o de buscar ajuda para acolher e aliviar sofrimentos. Um exemplo diferente, saudável e que se contrapõe na essência aos discursos de ódio que ganharam tanto espaço na comunicação virtual.

Situações como a que atingiu o Educandos podem ser prevenidas, mas não descartadas completamente.  O tipo de mobilização realizada e em realização até agora demonstra o poder  pessoal, mesmo que micro, em agir em nome do bem comum, de canalizar a atenção para aquilo que no momento de agonia profunda, como o é nesse caso, torna-se mais importante e mais urgente. Esses populares que deixaram todos os seus compromissos para erguer a rede de apoio às vítimas merecem agradecimento porque estabeleceram a diferença na atitude firme de ajudar o próximo, de criar,  de alguma forma um clima de acolhida para que as centenas de famílias em meio ao desespero pudessem perceber que não estavam sozinhas. Braços longos, anônimos e estendidos se posicionaram para recebê-los e estão se posicionando hoje para que as dores sejam menores e a superação se dê em menor tempo possível. Um exemplo valioso.