A greve, os usuários de ônibus e as narrativas
Na guerra dos relatos das autoridades, a população e, em particular, os usuários de ônibus que foram submetidos a esse tipo de embate sem que as implicações da paralisação em suas vidas tivessem sido consideradas.
A greve dos rodoviários, no dia 20 de julho, e a forma como os governos do Estado e da Prefeitura de Manaus trataram a questão revelou inabilidade e prejuízos aos usuários desse meio de transporte.
De acordo com os trabalhadores das empresas de transporte coletivo, o acordo feito com os empresários do setor não foi cumprido. Os governos estadual e municipal se pronunciaram quanto aos repasses que lhes cabe fazer, mas foram falas antagônicas que se tinham como objetivo enfrentar a situação de paralisação e resolvê-la adequadamente, a contradição dos gestores públicos é o que ficou patente.
Não foram resolvidas aa questões apresentadas pelos trabalhadores, o que até a terça- feira (21) manteve a frota reduzida em 50% e uma série de dificuldades para os passageiros conseguirem ir e vir. Isso significa que centenas de pessoas deixaram de comparecer ao trabalho e ou a outros compromissos ou o conseguiram fazêlo com atraso porque não dispunham do ônibus.
A condução da negociação para por fim a essa paralisação seguiu arranjos que ajudaram a complicar o processo empurrando a decisão, aprofundando o problema e ampliando prejuízos. As greves de trabalhadores do transporte coletivo não são uma novidade na história desse serviço em Manaus, o que deveria indicar meios de buscar a melhor solução. O que se viu remete a um nível de descaso ou de irresponsabilidade do conjunto das autoridades públicas que deveriam zelar pela garantia da boa prestação do serviço.
Na guerra dos relatos das autoridades, a população e, em particular, os usuários de ônibus que foram submetidos a esse tipo de embate sem que as implicações da paralisação em suas vidas tivessem sido consideradas.
A maioria dos usuários de ônibus em Manaus se submete a esse transporte porque não pode pagar pelos preços cobrados por outros transportes. Muitos moram em locais distantes dos seus locais de trabalho, da escola. Quando o sistema deixa de funcionar, opera parcialmente, como ora ocorre, a agonia desses usuários aumenta diante da dificuldade a que são submetidos.
Se as autoridades não conseguem estabelecer um nível de entendimento entre Estado e Município, o problema ganha outros contornos preocupantes. Afinal, qual narrativa corresponde às informações reais? E, nesse tempo, o que está sendo feito para estabelecer o diálogo e o retorno completo da frota de ônibus?