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A Crítica
Opinião

A ideia do pacto pelo Brasil

Publicado em 23/12/2018 às 11h29 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h52
A ideia do pacto pelo Brasil

O pacto entre os três poderes, apresentado como absoluta prioridade pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, é, como ideia, uma boa iniciativa, falta o elemento fundamental para que pactos dessa natureza possam ser firmados e cumpridos. As incertezas e o quadro de instabilidade do Brasil exigem que acordos suprapartidários e ideológicos sejam realizados em nome de medidas e saídas justas para os brasileiros e o País na sua relação interna e externa.

Faltam pessoas que nos seus postos públicos carreguem condições de promover interlocução e diálogo. No passado, em tempos de liberdades reduzidas, em meio as lutas algumas figuras atuaram para construir pontes e preservar direitos que mais tarde ajudaram a conquistar e ampliar direitos, em meio a radicalismo de um lado e de outro, personagens como Tancredo Neves, Teotônio Vilela e Ulisses Guimarães, entre outros, agiram para o Brasil se reposicionar rumo a redemocratização.

Toffoli acerta ao propor, há um mês, o pacto e em defende-lo como prioridade para que possam ser deliberadas reformas como a da previdência, fiscal e tributária. E enfraquece a posição que busca assumir, a partir do STF, como articular desse acordo, ao inaugurar uma fase de declarações que minimizam graves situações vividas pela sociedade brasileira e cujo acerto histórico está longe de ser feito e tomar decisões que enfraquecem a credibilidade do Poder Judiciário, entre essas o reajuste dos salários dos ministros do STF.

No governo e no Congresso Nacional, os personagens marcam suas estreias pelo discurso de ódio e se revezam em falas reducionistas que não contemplam o País em sua dimensão maior. Optam por encolhe-lo e estimular confrontos como tática de fazer valer suas propostas mais pessoais. Quem reúne as condições para negociar o pacto entre os poderes e formalizar um pacto que não carregue o ranço e o reducionismo como marcas? Que a ideia não se perca e percorra as mentes e os corações para encontrar eco e ganhar condições de se tornar real não para o triunfo de um ou de outro, e sim pelo País como sinal do esforço efetivo para vencer a bipolarização e assegurar o respeito à legislação e aos direitos humanos, esses como elementos de igual importância no desenvolvimento nacional.