A luta das mulheres é contínua
O dia seguinte às manifestações do 8 de Março demonstra a necessidade dos monitoramentos quanto aos atos e ações anunciados por governos e algumas instituições tendo como foco a mulher e seus direitos. No campo de luta, a quantidade de mulheres e de homens parceiros nas ruas, praças e nas redes sociais demonstra o tamanho da pressão sobre os representantes dos poderes e de grupos empresariais que atentam contra à saúde mental e física das mulheres.
A pauta atual, marcada pelo processo eleitoral deste ano no Brasil, expõe a tentativa de apropriação por líderes de partidos e políticos das causas pelas quais lutam as mulheres em busca dos dividendos eleitorais. Situações absurdas são criadas por alguns assessores da área de marketing a fim de projetar imagens e liga-las a essa demanda. O recurso não é novo, está sob aperfeiçoamento e, na medida em que a pressão das mulheres tem ressonância ampliada, maior é o desejo de encaixota-la a serviço de outras projeções e propostas.
Conhecer as realidades a que estão submetidas as mulheres do Brasil por cidades, pelo campo, pelas zonas rurais e regiões é uma tarefa, atrasada, dos governantes desde o governo federal aos governos municipais – onde ganha feição o quadro de não importância, de descaso e da produção de violência sistêmica de gênero. Perceber e contabilizar os instrumentos criados e de fato funcionando para enfrentar a situação é um dos desafios colocados para os movimentos feministas e de mulheres e aos gestores públicos. No geral, os indicadores comprovam que tem prevalecido o distanciamento dos responsáveis diretos pela implementação de políticas públicas que funcionem.
Para as mulheres da Amazônia, decisões tomadas no pós-8 de Março pelo governo federal e Câmara dos Deputados são graves. O sim ao Projeto de Lei nº 191/2020, o “PL da mineração em terras indígenas”, dado pela maioria dos líderes partidários, acende o alerta sobre o futuro imediato da região e de seus povos. O discurso de defesa do PL – de tornar o Brasil autossustentável na produção de fertilizantes – é mentiroso e esconde as reais motivações que combinam a posição de parlamentares e de governos. Na Amazônia, a luta das mulheres está vinculada à luta pelos direitos dos povos originários, das comunidades tradicionais, da terra, da floresta e da água.