Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

A miséria se mostra na rua

Publicado em 06/04/2021 às 11h45 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h45
A miséria se mostra na rua

O número de pedintes nas ruas de Manaus denuncia o aprofundamento da pobreza de parte da sociedade e revela a escassez de alimentos em escala crescente. Adultos, meninas e meninas e até idosos podem ser facilmente encontrados em grupos, duplas ou sozinhos a cada parada dos carros, nas esquinas e nas praças. Amazonenses e imigrantes dividem e ou disputam espaços para suplicar ajuda.  

Este não é retrato exclusivo de Manaus. Infelizmente, é uma paisagem em crescimento no País, retomando, com alguma semelhança, os anos de 1990 quando a miséria colocou nas ruas do Brasil milhares de pessoas dispostas a catar no lixo ou aproveitar as sobras nas mesas dos restaurantes alimentos que pudessem reduzir a fome de tantos. Nos anos seguintes, ações governamentais e em parcerias com determinados segmentos empresariais conseguiram alterar essa realidade e a maioria dos que antes passavam fome pode ter acesso a três refeições.

A combinação pandemia da Covid-19 e condutas (quase nulas) das políticas públicas colaboram para o reaparecimento e crescimento da miséria nacional. A falta de um plano efetivo para lidar com os efeitos do novo coranavirus tanto no item contaminação populacional quanto no da economia em tempo de crise aguda gerou a realidade de fome somada a angústia que a pandemia em si provoca. As intervenções foram, na maioria, desastrosas e tiveram como resultado uma espécie de incentivo à desigualdade.

Não desconhecer a dificuldade imposta ao Brasil e ao mundo pela pandemia é um dado relevante. Afinal, o modelo prevalente de atuação econômico-financeira foi impactado duramente, embora já desenvolva outras experiências bem-sucedidas quanto aos lucros obtidos em mais de um ano de cenário pandêmico. Por outro lado, governos têm mecanismos e espaços de interlocução que podem, se bem utilizados, reduzir os efeitos mais nefastos da crise.

O enfretamento nacional à pandemia, até aqui, se apresentou de forma desastrosa. Houve explosão de contaminados e de mortos pelo novo vírus. Aos pobres, sobreviventes, a miséria é a companhia.