A mística e a lembrança necessária
O domingo 31 de março que, no Brasil, remete aos sessenta anos do golpe militar-civil que durou 21 anos
Este é um final de semana emblemático, juntam-se dos acontecimentos marcantes na história da humanidade e na história dos brasileiros. Domingo de Páscoa, completando um tempo de referência para os católicos e cristãos, como mística do processo de morte e ressurreição – a vida celebrada. Mas, não mais qualquer vida, uma vida transformada, tocada pelo amor e pelo respeito.
E o domingo 31 de março que, no Brasil, remete aos sessenta anos do golpe militar-civil que durou 21 anos, revelou as mais avançadas técnicas de tortura humana sem ignorar métodos grotescos, matou e fez desaparecer milhares de pessoas. O Brasil vive uma pergunta que, seis décadas depois, não faz esforço para responder como dever de uma nação que respeita e quer se manter democrática. O que será feito dos torturadores?
A vida nova pascal reivindica condutas novas, capacidade e firmeza para enfrentar as zonas de sombra e responder as perguntas acumuladas nesse mais de meio século. Não é possível esquecer, não é possível minimizar ou dar outro nome ao que o País viveu a partir de março de 1964 até 1985, senão o de ditadura. As marcas estão postas, denunciam e clamam por providências dentro da legalidade e do legitimo.
A América Latina volta a viver um tempo de incertezas e de conflitos que sinalizam com agravamento e desestabilização de avanços democráticos. Se não há, como aprendizado permanente, as lições das histórias vividas nesse continente, da participação de governos externos determinando posições tomadas em vários países latino-americanos e dos trágicos resultados dessa intervenção, é preciso fazê-lo para criar condições estruturais de afastamento das tentativas de golpes e de retomada dos planos de retrocesso neste país e no continente latino-americano atuando para também pressionar as demais regiões do mundo posicionarem-se em favor da democracia e do aprimoramento desse sistema.
Quando questões graves são colocadas na gaveta e silenciadas por setores estratégicos dos poderes e da sociedade tem-se uma espécie de bomba prestes a explodir a qualquer momento, não por acaso e sim porque ela é preparada meses ou anos a fim, até a explosão ocorrer e garantir que o plano tenha êxito. O Brasil já passou por momentos trágicos e outros marcados pela tristeza e o sofrimento, que sessenta anos depois, possa ver e agir na completa superação de um desses momentos, a ditadura, e se constitua como referência de democracia.