A paciência como instrumento de amor
Várias regiões do mundo sobrevivem na mais profunda desigualdade diante de ilhas de trilionários.
Para uma parcela dos cristãos católicos a partir de hoje (28) até domingo, é tempo de reflexão e de recolhimento. Os dias santos que se completam com a celebração da Páscoa, vitória da vida sobre a morte, são acontecimentos com enorme repercussão na vida de milhares de pessoas.
Em um mundo marcado pela disputa que triunfa pela eliminação do outro, de forte cultura do ódio e de valorização do egoísmo, a Semana Santa é uma oportunidade à humanidade para ver a situação de uma maioria de humanos submetida a condições ultrajantes e à morte, sentir e agir como posição de enfrentamento a esse tipo de sistema. Várias regiões do mundo sobrevivem na mais profunda desigualdade diante de ilhas de trilionários.
Outras, como a Amazônia, sufocadas por agendamentos internacionais que se igualam a um sistema de saque dos recursos naturais que deixam como saldo desastres em vários segmentos.
Em sua audiência geral, ontem (27), o Papa Francisco pediu atenção a importância da paciência como mecanismo amoroso e de libertação. De acordo com o Papa, na “Paixão emerge a paciência de Cristo, que com mansidão aceita ser preso, esbofeteado e condenado injustamente; diante de Pilatos ele não recrimina; suporta os insultos, cuspidas e flagelações dos soldados; carrega o peso da cruz; perdoa quem o prega na madeira e na cruz não responde às provocações, mas oferece misericórdia”.
Para o sumo pontífice, é nesse roteiro que se traduz a paciência de Jesus e que “tudo isto nos diz que a paciência de Jesus não consiste numa resistência estoica ao sofrimento, mas é o fruto de um amor maior”. Na tradução desses gestos, a figura de Jesus é colocada como o maior exemplo de páscoa que os cristãos podem se inspirar e realizar em suas vidas, apoiar a luta pela dignidade da vida das crianças, dos adolescentes, dos jovens, das mulheres, dos idosos, das pessoas pretas e dos povos indígenas.
Não se trata de qual alimento pode ser ingerido, se carne ou peixe. E sim da quantidade de famintos que buscam farelos, ossos ou pés de galinha para saciar a fome. É reconhecer que a invenção de presentear com ovo de páscoa tornou-se hoje uma das maneiras de exploração popular e de como o mercado age para vetar milhões de pessoas ao acesso a esse arranjo alimentício de época.