Manaus dom, 25 out
A Crítica
Opinião

A páscoa é desafio para humanidade vencer o egoísmo global

Entre guerras e consumo, a Páscoa resiste como símbolo de esperança, fé e possibilidade de uma vida renovada em sociedade

Publicado em 04/04/2026 às 08h56 · Atualizado em 04/04/2026 às 09h26
Pessoas encenando a peça Paixão de Cristo, momento da crucificação
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

É tempo da Páscoa. A sociedade mundial cada vez mais acelerada e mercantilizada faz desse dia o outro espetáculo distante do simbolismo da semana santa para os cristãos. É o preço das mercadorias, em alta, o que mais gera notícia nas diferentes plataformas e não o significado da história da páscoa.

Os países entre a produção de guerras, sede de poder ampliado e nações acuadas, promovem, hoje, um dos mais tristes cenários de confrontos e de discursos violentos por parte de alguns dos líderes mundiais. O medo instalado aparece nos rostos, nos gestos e na espera do que irá ocorrer no dia seguinte, um processo que submete parte expressiva do mundo a adoecimento mental.

Em pequenas cidades no Brasil e noutras regiões, como se fossem luzes na escuridão da humanidade, é a arte que abre espaço para celebrar a vida sobre os diferentes meios de matar e de morrer. Teatro, música, procissões, artesanatos e uma infinidade de outras criações conseguem, nesses lugares, realizar experiências individuais e coletivas de aprendizado, de descobertas e de mobilização que têm na espiritualidade, na fé e no amor elementos centrais.

São meses de preparação, não de uma guerra, da hostilidade ou do discurso de ódio, e sim de como oferecer gastronomia vinculada ao evento semana santa, espetáculos tendo como roteiro a vida de Jesus Cristo, de seus país, dos apóstolos e atos religiosos. O domingo de páscoa nesses ambientes envolvem e são chamadas para o convívio fraterno. Os que participam, como autores ou visitantes, repetem o quanto tais experiências implicaram positivamente em suas vidas e os levaram a refletir sobre o sentido de viver, dos gestos praticados, das palavras proferidas.

Se a Páscoa ainda mobiliza alguns milhares de humanos, mas que as promoções do mercado, para celebrar, em família, entre amigos, os que chegam o significado da ressureição e da possibilidade de uma vida nova, é porque nessa parcela da humanidade a esperança se sustenta e quer ser ampliada, compartilhada, se tornar mais ampla e mais larga. A Páscoa também é um desafio anual aos humanos diante de uma sociedade globalizada ao sinalizar que outra maneira de viver é possível e pode ser construída entre os destroços deixados pelas guerras e o autoritarismo.