A paz realiza outro desenvolvimento
O Atlas da Violência 2019 revela um Brasil manchado de sangue e de medo, embora com números que tiveram queda em determinados rimes, como os assassinatos, as mortes violentas somaram, em cinco meses, 17,9 mil. Confeccionado sobre a responsabilidade do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com Fórum de Segurança Pública, o Atlas possibilita conhecer, em cada município brasileiro, a dimensão da violência e, se houver interesse, estabelecer políticas governamentais e públicas para combatê-la.
A Caminhada pela Paz, realizada ontem em Manaus e em várias cidades brasileira, é um dos esforços de pautar o enfrentamento a todas as formas de violência. O que cada cidadão pode fazer? Chamados pelo arcebispo metropolitano de Manaus, D. Sérgio Castriani, no dia 8 de dezembro, milhares de fiéis foram às ruas da capital amazonense para pedir paz no Dia Mundial da Paz – 1º de janeiro. Saíram de várias paróquias em múltiplas caminhadas que traçaram um longo trajeto em defesa da paz no Amazonas, na Amazônia e no Brasil.
O movimento nesta direção, na atualidade mundial, é relevante porque a Terra agoniza diante das ações dos humanos que fere de morte, diariamente, milhares de humanos. É o próprio homem quem poderá mudar o percurso da escalada da violência no lugar onde vive. No primeiro dia do início de um ano pensar sobre a necessidade de paz é acionar a Justiça e atuar para fazê-la funcionar como mecanismo de longo alcance e com capacidade de conhecer as diferentes realidades, por exemplo, de um país com as dimensões do Brasil.
O que nega a paz na convivência social é o que a aniquila, a violência. E com o estado de violência o desenvolvimento justo ecologicamente torna-se difícil. É o que está ocorrendo no Brasil. Especuladores e investidores de um determinado campo se interessam em fazer projetos onde as regras de privatização estão frouxas e abrem espaço a experimentos econômicos sem maiores critérios; onde a desigualdade é considerada condição normal e o racismo parte da convivência. Se há investidores que ganham muito dinheiro e poder com os negócios da violência, há uma maioria de pessoas que cotidianamente morre um pouco ou totalmente pela expansão dessa condição de vida. É contra esse modelo de existência que fiéis caminharam e pediram paz que não caiará do céu, mas exige ser construída.