A polêmica dos agrotóxicos
Até mesmo o manuseio dos produtos deve ser feito somente com uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados
Com a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de Futebol, os brasileiros entram no conhecido “transe da bola”; o País para e tudo que interessa gira em torno do esporte mais popular do mundo. Com todas as atenções voltadas para o desempenho das seleções no Catar, o momento se torna extremamente oportuno em Brasília para tratar de questões que dividem a opinião pública. É o caso do projeto de lei que flexibiliza regras de aprovação e comercialização de agrotóxicos.
A polêmica reside no fato de que o projeto simplifica uma série de regras que existem por um bom motivo: tratam de produtos sabidamente nocivos à saúde humana e ao meio ambiente, é por isso que se chamam agrotóxicos: são tóxicos mesmo. Tanto que até as embalagens de tais substâncias precisam ser recolhidas para evitar contaminação. Até mesmo o manuseio dos produtos deve ser feito somente com uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados.
Dito isso, deve-se ressaltar que os agrotóxicos desempenham, sim, um papel de relevo na produção agrícola do País, aumentando a produtividade, prevenindo e combatendo pragas que, de outra forma, poderiam reduzir drasticamente a safra. É o mau uso que causa danos ao solo, aos mananciais e até mesmo à saúde das pessoas. Por esse motivo, a legislação é tão rigorosa e qualquer flexibilização deve ser muito bem discutida para evitar que a busca pelo lucro acabe por colocar em risco a segurança das pessoas e da natureza. Não é à toa que o projeto foi proposto por parlamentares que representam os interesses do agronegócio, o que é legítimo, desde que o bom senso prevaleça nas discussões.
A votação do projeto na Comissão de Agricultura (CRA) do Senado estava marcada para ontem, exatamente no dia que o Brasil estreou na Copa do Mundo contra a Seleção da Sérvia. Porém, as divergências falaram mais alto, e os senadores resolveram adiar para a próxima terça-feira, dia 29. Um tema tão delicado e que terá repercussões tão sérias não pode prescindir de amplos debates com o efetivo envolvimento da sociedade, cujas entidades representativas devem ficar alertas para evitar que o “torpor da Copa” seja usado para fazer “passar a boiada”.