A política do mesmo Meio Ambiente
A política ambiental brasileira permanece no mesmo ritmo da gestão Ricardo Salles embora há dois meses, o Ministério do Meio Ambiente esteja sob a responsabilidade de Joaquim Leite, substituto imediato de Salles. Silenciosamente, o novo ministro reproduz o estilo anterior de administrar a área ambiental.
O resultado desse modelo é visto, sentido e informado toda semana, com dados cada vez mais preocupantes. Na Amazônia, o efeito dos atos de ataques ao meio ambiente se revelam no avanço da devastação, de áreas queimadas, de perdas significativas da flora e da fauna silvestres. Impacta diretamente na vida dos povos indígenas e de comunidades tradicionais que vem perdendo gradativamente espaços de moradia, de pesca, de caça e de plantação para os invasores.
Outro aspecto que agrava ainda mais a situação é a ação ilegal dos garimpeiros e dos madeireiros deixando um rastro de destruição de longa duração. A quantidade de mercúrio que vem sendo lançada nas águas de rios, de acordo com alertas de vários pesquisadores e moradores desses locais, aumenta e segue sem qualquer manifestação concreta das autoridades para impedir a continuidade desse procedimento. Não diferente desse comportamento, ocorre com a extração ilegal de madeira que segue se o negócio fosse legal. Apenas uma pequena parcela do volume extraído consegue ser capturada.
O silêncio do ministro Leite é um gesto que pode ser comparado a cumplicidade oficial com as contravenções que estão sendo realizadas na área do meio ambiente.
Ou seja, a boiada continua encontrando a porteira aberta e escancarada para passar e fazer estragados. Absolutamente nada aconteceu de impeditivo mesmo diante dos relatórios inclusive de setores do próprio governo federal que apontam para o agravamento dos ataques na área ambiental, o que demonstra qual é a política que o governo quer e vem realizando nesse setor.
Na última semana, foram empresários do setor de agronegócio que manifestaram preocupação com o assunto no quesito fogo. Estão descobrindo que a falta de uma política de prevenção na área ambiental gera prejuízos de bilhões de reais a esses empresários, mas também a outros que começam a entender que o cuidado com os ecossistemas brasileiros é sinônimo de bons e saudáveis negócios.