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A Crítica
Opinião

A quem interessa pacificar o Brasil?

Os mais de 215 milhões de brasileiros necessitam inaugurar outra fase de convivência

Publicado em 05/11/2022 às 09h25 · Atualizado em 05/11/2022 às 09h30
A quem interessa pacificar o Brasil?
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

No pós-eleição é preciso saber quantas pessoas, representantes de instituições, do empresariado, de organizações não-governamentais e líderes religiosos estão interessadas na tarefa de pacificar a sociedade brasileira. Pacificar remete às iniciativas de promoção do alívio, do restabelecimento da calma, de propiciar o diálogo.

Os mais de 215 milhões de brasileiros necessitam inaugurar outra fase de convivência onde as ideias possam ser apresentadas, percebidas, apoiadas ou contestadas dentro do campo da normalidade. O que vem sendo registrado desde o final das eleições demonstra que o País vive outro direcionamento, com uso de armas de fogo, ataques a pessoas e moradias, ameaças de morte feitas em redes sociais, posicionamentos de servidores públicos, alguns em função de comando, alimentando confrontos. 

São fatos graves e, nesse contexto, criminosos porque passam por cima da Constituição brasileira e tentam, pelo acionamento de vários mecanismos, impor comportamentos fascistas e enquadrar toda a população. O caminho estimulado para essa direção empurrou o Brasil, em pouco tempo, ao isolamento mundial, ao estímulo de organizações que atuam na ilegalidade, pela truculência e estabelecimento de regras racistas. O resultado é o quadro de turbulência impulsionada em diferentes cidades.

Há um Brasil que pede providências corretas para se desenvolver, iniciar o processo de recuperação econômico-financeira, da redução da desigualdade, da retomada de programas fundamentais tanto na área social, educacional e de saúde quanto na ambiental. Todos eles desmantelados e alguns semiparalisados porque assim o governo federal decidiu. Na ciência, a produção das pesquisas sofre com redução dos recursos financeiros, das bolsas de apoio a pesquisadores e no enfraquecimento das universidades e institutos públicos federais.

O Brasil que necessitava avançar nas negociações mundiais e na região da América Latina, ampliando protagonismos, ficou pequeno e deixou de dialogar, de propor, de participar. A conduta isolacionista trouxe prejuízos em série que levarão algum tempo para serem superados. Quanto mais espaço tiverem os apoiadores interno do desrespeito à Constituição e ao segregacionismo mais complicado será pacificar o País, o que significa conviver com as diferenças, mas respeitar o jogo democrático. Pacificar não é submeter um setor da sociedade contrário ao governo eleito a esse governo e sim encontrar no amplo diálogo a importância do respeito aos preceitos democráticos, ao estado de direito. Os que agem contra esses princípios não têm interesse nem compromisso com o Brasil e bem-estar do povo brasileiro.