Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

A quem servirá a padronização das paradas de ônibus?

Modelo que está vigente não atendeu a expectativa dos usuários, que é abrigá-los do sol e chuva

Publicado em 15/10/2022 às 09h10 · Atualizado em 15/10/2022 às 09h37
A quem servirá a padronização das paradas de ônibus?
Foto: Sidney Mendonça / Immu

A Prefeitura Municipal de Manaus anuncia serviços de padronização de um bloco de 3,6 mil paradas de ônibus do transporte coletivo. A medida é aguardada por milhares de usuários desse meio de transporte que diariamente têm seus direitos desrespeitados na atual estrutura dos pontos de embarque e desembarque de ônibus.

O modelo vigente, comum em algumas cidades da Europa, não deu certo em Manaus, pelo menos para a função principal que deveria ter, abrigar os passageiros. Esses tanto nos períodos de chuva quanto no do sol mais intenso e temperaturas mais elevadas não funcionam e levam os usuários a fazer filas nas sombras formadas a partir da parada e não no espaço dela. Possivelmente, o padrão ora utilizado funcionou como espaço público cedido a anunciantes privados.

Em torno do projeto de padronização das paradas de ônibus residem perguntas que precisam ser respondidas com transparência pelo governo municipal: o que significa a proposta de padronizar e o que será padronizado? Haverá mudança no modelo de parada ou ele será ampliado? Se haverá mudança, qual molde será utilizado? De onde vem? Que tipo de experiência passará a ser feita em Manaus nesse setor?

O conhecimento científico acumulado no Amazonas e a criatividade, reunidos aos saberes dos povos não podem projetar e experimentar um tipo de parada de ônibus que se adeque às especificidades da cidade? As administrações municipais têm alternados modelos externos a partir de determinados acordos e interesses para, no final, os usuários de transporte coletivo serem submetidos a uma modelagem que não atende aos cuidados que devem receber como parte da política de transporte público.

Outro aspecto é que os serviços feitos no item parada de ônibus, historicamente excluem esses pontos existentes na periferia socioeconômica de Manaus. Nessas áreas, o que funciona é uma plaquinha com o desenho de um ônibus afixada em um poste ou, pior, sem qualquer sinalização de que uma parada de ônibus existe no local. Os usuários fazem fila na sombra do poste ou ficam espalhados à espera do coletivo.

A relação entre passageiro de ônibus e política pública de transporte coletivo é, em Manaus, uma expressão da violência com que a cidade e as pessoas que nela vivem são tratadas pelo poder público. O transporte coletivo e espaços como parada de ônibus são indicadores importantes do tipo de desenvolvimento que a cidade experimenta.