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A Crítica
Opinião

A realidade grita

O que hora se verifica é a intensidade de ameaças e de consumação de agressões a repórteres tanto por parte de setores governamentais quanto de outros poderes institucionais e de organizações

Publicado em 14/06/2022 às 07h49
A realidade grita
Foto: Reprodução

Os trabalhadores dos meios de comunicação com base no jornalismo estão sob ataque no Brasil, nos últimos anos de forma mais intensificada. Esse tipo de comportamento sinaliza para uma situação preocupante quanto à estabilidade do país. Em nenhum lugar do mundo, quando cenários dessa natureza se apresentam, a democracia prevaleceu e sim os confrontos de toda ordem.

O que hora se verifica é a intensidade de ameaças e de consumação de agressões a repórteres tanto por parte de setores governamentais quanto de outros poderes institucionais e de organizações. Tais indicadores demonstram que a sociedade como um todo sofre e está sob ameaça, não somente a mídia. O que está em disputa é, de um lado, o respeito às instituições e o aprimoramento da atuação destas de acordo com o que determina a Constituição do País e, de outro, a progressiva fragilização institucional, o apagamento das funções desse corpo institucional, a perda sequenciada dos direitos dos cidadãos, aumento de atos promovidos por grupos restritos detentores de poder político e econômico dispostos a ampliar a fatia de comando que possuem.

Na última semana, uma série de atitudes confirmam a fragilidade construída no interior das instituições e a postura autoritária dos representantes destas em relação à sociedade. Entre elas: a forma como foi completado o processo de privatização da Eletrobras, numa das mais ferrenhas quebras de contratos com a população brasileira; as ameaças ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE); a postura lenta na tomada de decisão para encontrar o indigenista Bruno Pereira, e o jornalista britânico Dom Phillips, desaparecidos desde o dia 5 de junho na região do Vale do Javari, no Amazonas; a posição do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em favor dos grupos de medicina privada que atuam no Brasil antecedida pela autorização de reajuste de 15.5% nos planos de saúde.

Nas ruas do Brasil uma multidão mendiga em busca de comida. São os famintos que já ultrapassam a 30 milhões de pessoas em situação de miséria. Os acordos feitos até agora não ofereceram respostas positivas aos mais pobres do País, apenas ajudaram os ricos a ficarem mais ricos.