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A Crítica
Opinião

A sociedade acata a violência contra a mulher

Publicado em 08/03/2020 às 13h00 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h37
A sociedade acata a violência contra a mulher

O mundo humano está em agonia, pelo menos é assim que vive a maior parte dos 7,7 bilhões de indivíduos que constituem a população atual. Essa forma de vida tem se revelado desastrosa à humanidade. Uma das motivações está na extrema concentração de riqueza quando o 1% dos mais ricos detêm 82% da riqueza global.

Essa situação produz uma realidade de violência extrema e se junta a outra, a do preconceito que atinge as mulheres na quase totalidade dos países. Está ai uma das construções do sistema de opressão das mulheres que normaliza a desigualdade nas oportunidades, veta ou dificulta a participação da mulher no espaço de poder, dominado mundialmente por homens, os espancamentos, aprisionamentos e assassinatos.

O Brasil é o segundo país do mundo em concentração de renda com 28,3% da riqueza nacional controlada por 1% dos ricos. É também um dos países mais ameaçadores para uma mulher viver, o feminicidio aumentou na comparação 2018/2019, 7,3%. No Amazonas, o índice de assassinatos de mulheres subiu, em igual período, 200%.  A cada quatro minutos uma mulher é agredida no Brasil.

Estudo divulgado no dia 5, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento da População (PNUD), apresenta outros elementos que contribuem para o entendimento do porque se agredir e matar as mulheres. Na população mundial, 90% da população mundial (homens e mulheres) revelaram ter preconceito contra a mulher; 27% entendem como normal os maridos ou companheiros espancarem a mulher.

O quadro mostra o tamanho do desafio que o enfrentamento da violência contra a mulher representa para cada país, cada Estado, cada cidade. No geral, as políticas de governo e públicas voltadas ao combate da violência não têm profundidade, atuam no plano superficial e são diretamente afetadas pelas decisões político-partidárias em nível nacional e local que colocam a questão em segundo plano e produz discursos descolados de uma prática efetiva de enfrentamento da violência.

Programas e espaços criados em governos anteriores foram esvaziados e a lógica atual nessa área segue o comportamento governamental de incentivo à violência contra a mulher. Por sua vez, a sociedade, como demonstra a pesquisa do PNUD, acata, reproduz e naturaliza essa violência. São as mulheres, em seus movimentos e coletivos, no Brasil e no mundo que irão protagonizar as mudanças. Hoje, elas estão nas ruas numa luta que já deveria ser, neste século, da maioria das mulheres e dos homens.