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A Crítica
Opinião

A talaricagem no cinema

Nesta semana vamos falar sobre aquele amigo(a) que não pode ver você com alguém que já quer te roubar. E no cinema, o que não faltam são esses personagens

Publicado em 28/11/2023 às 09h18
A talaricagem no cinema
Foto: Reprodução

Em novembro de 1992, a lenda brasileira Zeca Pagodinho lançou uma música que mudaria para sempre a forma como veríamos nossas amizades. Trata-se da icônica “Talarico, ladrão de mulher”, canção que narra a frustração e raiva do artista com um então amigo, de nome ‘talarico’, que roubou sua amada. 

A canção é bem escrita, engraçada e com um refrão ‘chiclete’, dando a ela as caraterísticas necessárias de um sucesso. No entanto, a música fez tanto sucesso que criou um termo e classificação para aquele homem (ou mulher) que rouba (ou tenta) a amada de um amigo: o talarico. Pensando nos recém-completados 31 anos desta canção, o Claquete MH desta semana vai lhes apresentar algumas boas obras que têm como pano de fundo a famigerada talaricagem.

Talaricagem em tempos napoleônicas

E já que o tema é sobre esses ‘amigos da onça’, que tal começarmos por um dos grandes clássicos da literatura. Estou falando de “O Conde de Monte Cristo”, lançado em 1884 pelo escritor francês Alexandre Dumas, também autor de “Os Três Mosqueteiros”. 

Nesta história vamos acompanhar a vida de Edmund Dantes, um jovem marinheiro que se vê traído pelo melhor amigo (e outras pessoas) e vai passar quase duas décadas preso por um crime que não cometeu. O motivo de tal traição? Bom, é que Fernand Mondego, o talarico da história, era doido por Mercedes, a então namorada do protagonista, e não pensou duas vezes quando viu a oportunidade. A partir daí, Edmund – o talaricado – inicia uma jornada de vingança, que já ganhou várias versões, sendo a mais famosa lançada em 2002, sendo protagonizada por Jim Caviezel e Guy Pearce.


Clássico da literatura e do cinema, O Conde de Monte Cristo conta uma história de vingança e talaricagem (Foto: Reprodução)

Em meio a guerra, o talarico não descansa

Saindo dos tempos napoleônicos e avançando no tempo, outro filme sobre talaricagem que merece destaque é “Pearl Harbor”, lançando em 2001. A obra, dirigida pelo megalomaníaco Michael Bay, tem como ambientação a segunda guerra mundial e vai contar a história dos amigos Rafe McCawley e Danny Walker (interpretados por Ben Afleck e Josh Hartnett).

Apesar das belas cenas de ação, que contam com muita explosão, a obra se estrutura mais na amizade desses personagens e na forma como esse amor fraternal é posto em jogo quando entra a personagem Evelyn, que vai se relacionar com os dois protagonistas em certos pontos. No fim, a grande mensagem do filme acaba sendo que “mesmo em meio a guerra, o talarico está à espreita”.


Ben Afleck e Josh Hartnett interpretam dois amigos apaixonados pela mesma mulher, em Pearl Harbor (Foto: Reprodução)

Uma mulher talarica

Saindo um pouco do drama, vamos para as comédias – lar de grandes obras sobre talaricagem. Desta vez vou citar o filme “O casamento do meu melhor amigo” (1997), que vai mostrar a história da belíssima Julianne Potter (papel feito por Julia Roberts) em busca de acabar com o casamento de Michael O’Neal (Dermot Mulroney) e Kimmy Wallace (Cameron Diaz). Para conseguir isso, ela vai fazer de tudo, até mesmo manipular a todos a sua volta para conseguir ficar com Michael. 

Sendo a única obra destas citadas em que o talarico é uma mulher, essa comédia é muito boa, com ótimos personagens, e até números musicais. Vale a pena rever. 


Julia Roberts protagoniza uma história de talaricagem contra Cameron Diaz, em O Casamento do meu melhor amigo (Foto: Reprodução)

Mas e você, conhece algum ‘amigo’ com esses citados? Cuidado, porque se não conhece, talvez seja você o talarico. 

Dicas da semana:

  • O casamento do meu melhor amigo (disponível na Netflix, HBO Max e Prime Video);
  • O conde de Monte Cristo (Disponível no You Tube); 
  • Peal Harbor (disponível na HBO Max).