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A Crítica
Opinião

A taxa Selic e a realidade brasileira

Os juros mais baixos deverão representar mais facilidade ao crédito e influenciar no consumo, no entanto, no bolso popular o efeito será de longo prazo

Publicado em 14/12/2023 às 09h03
A taxa Selic e a realidade brasileira
Foto: Agência Brasil

A redução em 0.5% da taxa básica da economia (Selic) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) indica que o Brasil deverá seguir como o país detentor da segunda maior alta taxa de juros do mundo. O primeiro, agora, é o Mexico.

Independente da classificação brasileira nessa área, outra repercussão são os reflexos da política de juros mantida pelo Banco Central na vida cotidiana nacional.

Os juros mais baixos deverão representar mais facilidade ao crédito e influenciar no consumo, no entanto, no bolso popular o efeito será de longo prazo e, mais, como a taxa a partir da decisão do Copom, ontem (13), de 12,25% para 11.75%, o cenário ainda permanece difícil para fazer a economia girar de fato e de direito. A nota técnica do Copom informa que a redução se deve ao fato de o cenário externo está “menos adverso”.

A condição de alívio no orçamento familiar, esperada com taxa de juros mais baixa, está longe de ser conseguida com o corte de 0.5%, bem como maior geração de emprego em curto e médio prazos.

Para especialistas, o Banco Central permanece com postura dura na relação com o governo federal, dificultando a entrada de investimentos e a expansão dos negócios nas diferentes regiões brasileiras.

Os micros e pequenos empresários, muitos dos quais com seus negócios em dificuldade e ou fechando, permanecem asfixiados pelo efeito da atual taxa Selic ao mesmo tempo em que desejam encontrar meios legais e legítimos para revigorar os empreendimentos.

O Desenrola, do governo federal, possibilitou a renegociação de 313 mil situações de endividamento. Outros tantos tentam conseguir recursos financeiros para utilizar os benefícios assegurados pelos que aderem ao programa, sem êxito. Esse aspecto está ligado à política de juros do Banco Central.

O endividamento dos brasileiros é elevado. São 711,81 milhões de pessoas inadimplentes. Houve queda dos inadimplentes na comparação entre novembro, de 43.82%, e outubro, de 43.94%. Mas, a falta de condições para pagar dívidas assumidas continua como fantasma real na vida das famílias, gera transtornos diversos, amplia conflitos familiares e deixa a angustia que adoece na vivência cotidiana.

É esse outro aspecto, para além dos grandes negócios, que precisa ser percebido, sentido e considerado na tomada de decisão tanto por parte do governo federal quanto do BC.