A taxa Selic, o BC e a sociedade
Manutenção da taxa de juros em 13,75% atinge duramente a população brasileira, o empresariado e os demais setores
A manutenção, pelo Banco Central, da taxa básica de juros (Selic) em 13.75% não apenas mantém o país no primeiro lugar na classificação dos países detentores das mais elevadas taxas de juros do mundo, atinge duramente a população brasileira, o empresariado e demais setores.
Parcela dos especialistas e comentaristas econômicos que até à última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) manifestava apoio à postura do presidente do BC, Roberto Campos Neto, reavalia a posição e critica a decisão tomada na reunião de 20e 21 de junho: manter a atual Selic.
Do ponto de vista técnico, a manutenção dos 13.75% não se justifica. Todos os indicadores econômicos e financeiros demonstram ambiente favorável e sustentam a orientação pela queda da taxa de juros. O que sobra é o espalho político por onde a presidência do Banco Central estaria atuando para arrastar ao máximo a situação.
A taxa Selic é o referencial para os custos das linhas de crédito em geral. Nas alturas, empréstimos e financiamentos permanecerão com custos mais elevados e dificultam que parte da sociedade e de micro e pequenos empresários possam acessar esses recursos e manter a regularidade dos pagamentos das parcelas.
Dirigentes do setor produtivo e de centrais sindicais reagiram à decisão do Copom em notas oficiais em que apresentam os efeitos negativos alimentados pelo Banco Central. Citam que em curto e médio prazos a política do BC desestimula o crescimento das atividades, da geração de emprego e de renda.
Por parte das centrais sindicais, a crítica é pela reafirmação, nessa postura do banco, das condições de pobreza e de fome de milhares de brasileiros, e a influência generalizada sobre todo o sistema financeiro do país bem como as práticas de juros abusivos.
Esse é um debate que ultrapassa os limites dos especialistas em um círculo restrito e sim de toda a sociedade. Os efeitos da longa duração da taxa básica de juros nesse patamar atingem a todos e, por isso, ser conhecidos, debatidos e posicionados o mais amplamente possível.
A sociedade civil que acompanha o movimento do Copom/BC é convidada a ir além de um aparente cabo de guerra entre o presidente do Banco Central e o atual governo. Os danos provocados são enormes e reforçam ameaças.