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A Crítica
Opinião

A urgência no combate à desigualdade

Enquanto alguns milhares de brasileiros sequer têm acesso às três alimentações básicas diárias, segundo estudo do Instituto de Economia da FGV, os ricos do Brasil estão mais ricos

Publicado em 21/01/2024 às 11h37
A urgência no combate à desigualdade
Foto: A CRÍTICA/Junio Matos: 14/nov/2019

O fosso da desigualdade cresce no Brasil. A questão é: quem se importa com essa situação? O que está sendo feito efetivamente e quanto tempo será necessário para mudar esse quadro são algumas das questões postas.

De acordo com o estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), tendo o Imposto de Renda como base de análise, os ricos do Brasil estão mais ricos. A pesquisa mostra que a variação registrada pelos mais ricos foi de 51%, 67% e 87% nos estratos mais seletos, os mais ricos. Entre os 15 mil milionários que compõem o 0,01% mais rico, o crescimento da riqueza nos últimos cinco anos foi de 96%.  A maioria da população adulta  experimentou em igual período crescimento nominal médio de 33%.

Alguns milhares de brasileiros sequer têm acesso às três alimentações básicas diárias e outros tantos nem mesmo a uma refeição adequada. São os que vivem na pobreza e somam 67 milhões de pessoas. Houve recuo na taxa de pobreza no ano passado de 36% para 31%, o que é dado a ser comemorado, mas a produção da desigualdade permanece vigorosa e em expansão com nível de concentração elevado.

Os poderes executivo e legislativo têm tarefas urgentes a realizar nessa área em nível nacional, regional e local. Os coletivos do movimento popular podem ser mobilizadores tanto  na exposição da pauta da desigualdade quanto na realização de ações que pressionem para a tomada de decisões enquanto política de promoção da igualdade e desconcentração da renda.

O tema incomoda, mexe com interesses grandes e de poucos cujo poder é diverso e enorme. Não se pode ignorar o tipo de reação que o 1% mais rico do País irá reagir para impedir que mudanças possam ser concretizadas e impactem suas fortunas. Cabe a tomada de posição e a vontade política governamental para enfrentar a realidade posta como estigma do Brasil, uma nação de milhões de indivíduos que passam fome, a informalidade como meio de geração de trabalho e de renda empurrando outros milhões a um padrão de vida indigno, sem direitos.

Aceitar que os ricos fiquem mais ricos e 95% da população brasileira vivam em outro patamar é concordar em ter a desigualdade como indicador natural da sociedade.