Manaus seg, 19 out
A Crítica
Opinião

A vida em Manaus precisa colorir

Publicado em 16/11/2021 às 11h05 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h11
A vida em Manaus precisa colorir

O colorido começa a tomar conta de áreas e equipamentos públicos de Manaus. O visual torna-se mais agradável e mesmo as porções de cal lançadas em meios-fios, mesmo com a tinta esparramada pelo chão, ajudam a melhorar à primeira vista a cara da cidade.

A iniciativa é positiva considerando que Manaus se encontra maltratada, com muitos prédios decadentes e uns em ruínas. Somam-se a isso as ruas esburacadas, contornos quebrados, imóveis que deveriam ser parte de circuitos de prédios históricos e incrementar a atividade turística local, nacional e internacional tornaram-se o outro cartão postal do lugar.

Cuidar da aparência da cidade é uma das responsabilidades da administração municipal e faz bem aos que nela habitam sentir esse cuidado e percebê-lo em suas andanças. A autoestima da população melhora e, nesse conjunto de ações, há respostas boas à sociedade. O que não deve se repetir é a atenção das obras às áreas economicamente mais altas, os espaços de condomínio da classe média alta, dos circuitos por onde os mais ricos transitam. A recuperação e melhoria da cidade precisa ser ampla e incluir os bairros onde persistem, por décadas, graves problemas.

Tornar a cidade mais bonita envolve cuidar bem das pessoas que nelas moram. Há milhares de pessoas em Manaus vivendo em profundo nível de precariedade onde desemprego, instabilidade emocional, pobreza e fome formam o cenário da realidade. A Prefeitura necessita de um lado, cuidar da parte física da cidade e, de outro, cuidar dos moradores, numa operação reconhecidamente difícil, porém necessária, fundamental e sim pode ser feita se houver vontade política.

Falta muito para Manaus ter um serviço de recuperação do seu espaço público e dos bens públicos que ultrapasse o limite até então seguidos pela maioria dos prefeitos. Quanto ao tratamento das pessoas que vivem na cidade em especial as mais pobres, a situação delas pode ser vista todos os dias no ir e vir nas vias públicas, nas praças, no entorno. É o abandono sistemático que se fala e da falta de providências adequadas, adotadas em curto prazo, para que elas possam ser acolhidas, tratadas em suas necessidades mais prementes e, assistidas, possam retomem as atividades de suas vidas com dignidade e confiança. Desse visual Manaus e se  ressente há tempo.