A violência contra a mulher se mantém elevada
Agressões físicas, psicológicas e feminicídio compõem a lista das violações cotidianas
Às vésperas do Dia Internacional da Mulher é o volume de documentos revelando o quadro agudo de violência que a mulher brasileira está submetida, como destaca o noticiário. Agressões físicas, psicológicas e feminicídio compõem a lista das violações cotidianas.
Será mais um 8 de março onde os esforços do movimento feminista e de mulheres e da rede de coletivos participantes dessa luta são para chamar atenção das autoridades e da sociedade a esse cenário de contínua gravidade. Prevalece na sociedade a ideia de responsabilizar e criminalizar as mulheres pela violência que sofrem.
Mudar esse tipo de entendimento é uma das urgências brasileiras e, para realizá-la, faz-se necessário determinação do conjunto dos poderes instituídos e a realização de trabalho de mobilização dentro das instituições. São nas estruturas das instituições que a cultura da violência faz moradia e a partir delas ganha substância interna e externamente operando os atos diários de violação da dignidade da mulher.
No ano passado, o Brasil alcançou taxa recorde de feminicídio. Somente no primeiro semestre de 2022, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram assassinadas 699 mulheres. O mês de janeiro deste ano encerrou como o mais violento para as mulheres nos últimos seis anos: 14 mulheres foram mortas no Ceará; oito no Distrito Federal. No Amazonas, o registro de violência contra as mulheres cresceu em 15.7% no ano passado quando comparado ao de 2021. O Brasil é um dos cinco países com a mais elevada taxa de feminicídio.
Há uma série de iniciativas para estudar a prática da violência contra mulheres, o ato máximo dessa violência que é o assassinato, para prevenir os atos e denunciar os autores. A própria mídia, um dos espaços de representação simbólica e de mediação importantes, vem se posicionando de outra maneira na abordagem dos casos, contribuindo com a visibilidade e o debate público em torno desse tema. O País reivindica essa participação ativa, sem trégua, no enfrentamento dessa violência e na superação dessa realidade.
Sensibilizar a sociedade quanto ao direito da mulher de viver e ser respeitada, de preparar recursos humanos em todas as áreas para lidar com as mulheres vítimas de violência, ampliar as casas abrigo e tornar presente a reflexão sobre o tema são tarefas imediatas dos governos, dos dirigentes e participantes das instituições e da sociedade.