Manaus qui, 29 out
A Crítica
Opinião

A ZFM em cenário sombrio

Publicado em 05/02/2022 às 13h13 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h05
A ZFM em cenário sombrio

O cenário da Zona Franca de Manaus é sombrio. Todas as movimentações feitas até agora e a que estão no radar de se tornarem concretas apontam para o encolhimento da principal agência de desenvolvimento do Amazonas e de parte da Amazônia Ocidental, a começar pelo posicionamento explícito do ministro da Economia, Paulo Guedes, contrário ao modelo.

Para completar, o processo eleitoral nacional faz com que temas como o da ZFM se tornem secundários no plano nacional, como já o é de fato e, em âmbito local, pode ser pauta dos discursos de candidatos ao executivo e ao legislativo numa espécie de velha repetição sem efeito mais significativo.

É de preocupação e angústia que os participantes da cadeia envolvida pelo Polo Industrial de Manaus (PIM) que vai muito mais além dos empregos gerados nas indústrias e alcança desde os trabalhadores informais a amplos setores de serviços. Faltam aos representantes do Amazonas – governos estadual, da capital, bancadas legislativas municipais, estadual e no Congresso Nacional, representações empresariais e de trabalhadores, instituições e organizações da sociedade – uma ação determinada, contínua e objetiva para assegurar o PIM e elementos fundamentais da formulação da ZFM, a motivação para a criação desse mecanismo que permanece válida.

O que está em curso a partir da modelagem adotada pela política econômica e industrial do Brasil é uma tacada certeira e forte sobre a ZFM. No mínimo, soa estranho o posicionamento dos que respondem pelos poderes do Amazonas de ignorar e ou silenciar sobre o assunto em nome de apoio do governo federal a outras demandas. Se a conduta permanecer dessa maneira o preço a ser pago pela sociedade amazonense será muito elevado e terá repercussão em outros estados amazônicos.

A sensação que essa posição deixa é que a ZFM deixou de ser questão importante para o Amazonas. O que deveria ocorrer, pelo menos desde a posse do novo governo do País, era a atuação de um grupo de trabalho, contendo profissionais das diferentes áreas, e com capacidade de apresentar um estudo sobre os resultados dos atos governamentais no Amazonas e na Amazônia Ocidental, as perspectivas e as ações necessitam ser tomadas. Esse tema é de interesse de todos os amazonenses e daqueles que moram neste Estado, precisa ser feita de forma ampla e aberta. É preciso responsabilidade com o presente e o futuro do Amazonas.