Abordagem eleitoreira sobre os combustíveis
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) planejada pelo Governo Federal na tentativa de frear a alta nos preços dos combustíveis, infelizmente, nos moldes em que se desenha, terá apenas o efeito de reforçar a convicção, já largamente manifestada pelo Governo Federal, de que os estados são os responsáveis pelos preços elevados e que, portanto, são os entes que devem arcar com ônus resultante da redução dos valores cobrados do consumidor.
Trata-se da mera continuação da queda de braços entre governo federal e administrações estaduais. Uma disputa que alonga há três anos. Enquanto isso, a lógica de reajustes adotada pela Petrobras continua em vigor, refletindo o cenário internacional e repassando para os preços dos combustíveis as incertezas em relação ao mercado. É o preço que se paga por ter uma estatal de relevância internacional. A estratégia adotada por Brasília apenas alonga o debate, o que deve permanecer ao longo de todo o ano de 2022 por conta dos interesses eleitorais. É praticamente certo que os preços dos combustíveis e a dicotomia estabelecida pelo governo Federal em antagonismo aos Estados será tema de discussões acaloradas na campanha.
Neste cenário, lamentavelmente, o que menos importa é o bolso do cidadão e os gastos inevitáveis em face do elevado custo dos combustíveis. Trata-se de um insumo que não afeta apenas os condutores de veículos automotores, mas alcança todos os brasileiros. E isso se torna ainda mais verdade no Amazonas, onde grande parte dos produtos de consumo são produzidos em outros estados, e trazem, embutido no preço final, o custo do frete.
É verdade que os combustíveis são questão essencial para o desenvolvimento do Brasil. A superação das atuais dificuldades econômicas, e até fomento aos diversos setores da economia dependem dos combustíveis. Exatamente por esse motivo, esse tema merecia um tratamento mais digno, distanciado de questões eleitoreiras e mais relacionado aos reais interesses da nação.
Enquanto um lampejo de responsabilidade não atinge as autoridades que devem agir sobre a questão, o povo brasileiro segue tentado manter o equilíbrio das finanças, frequentemente, abrindo mão de itens essenciais, em um processo contínuo de empobrecimento.