Manaus seg, 26 out
A Crítica
Opinião

Ação deve ser ampla e coletiva

Publicado em 13/04/2020 às 13h19 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h25
Ação deve ser ampla e coletiva

O Amazonas é um dos quatro estados brasileiros em situação crítica diante das respostas tímidas ao enfrentamento da pandemia da COVID-19. A estrutura montada revela-se agora insuficiente diante dos indicadores de que a demanda por leitos e aparelhos respiradores aumentará e, para agravar o quadro, parte da população ignora a recomendação de permanecer em casa, ajuda a manter pequenas áreas de aglomeração em porta de bancos e determinados estabelecimentos comerciais.

Os estudos científicos apontam para maior instabilidade em Manaus com fluxo intenso de pessoas e principal destino dos que conseguem sair de suas cidades em busca de socorro médico. Os informes governamentais quanto à necessidade de a população permanecer em casa foram intensificados em diferentes plataformas de mídia, mas persiste um nível de entendimento em defesa da circulação de pessoas e dos aglomerados sociais.

Esse comportamento desafia os governos estadual e municipal e exige que providências sejam tomadas imediatamente para não se ter nas ruas pacientes que não conseguiram vaga na rede hospitalar, nem nas tendas, ou mesmo corpos espalhados diante do possível aguçamento dos casos do novo coronavirus no Amazonas.

Ao mesmo tempo, são espalhados vídeos relatando o desespero de familiares de pacientes ou daqueles sob suspeita de terem sido contaminados. Querem, de forma justa, respostas a respeito das condições de tratamento dessas pessoas, do quadro desses pacientes e saber do resultado do teste. Testagem que no país está sendo feita em menor escala por falta de condições de ampliar o universo e, no Amazonas, não é diferente. Ou seja, é possível que o número de doentes seja bem maior do que aquele oficialmente registrado e levado ao conhecimento da população.

Nas comunidades mais distantes, onde o serviço de saúde não alcança em sua integralidade e há deficiência na comunicação, milhares de famílias estão sozinhas diante desse drama, sem chance de viajar para uma cidade onde haja socorro médico. Por isso, é fundamental que as medidas de isolamento social sejam cumpridas e os governos atuem com firmeza para impedir que ápice da curva de adoecimento seja mais elevado do que está sendo projetado.

É importante que as demais estruturas dos governos, das instituições e das igrejas consigam dialogar e estabelecer estratégias para salvar vidas.