Ação permanente é a solução
O Amazonas aparece entre os primeiros lugares nos mapas sobre violência, como é o caso dos homicídios. A realidade escancara o grau de dificuldade para enfrentarmos forças organizadoras dessa condição e compromete a estrutura estatal enquanto mecanismo de enfrentamento e resolução das ocorrências desses atos.
Na capital, Manaus, houve redução de 30% nas ocorrências de homicídio, um porcentual significativo diante de situação crítica. Foram 2.050 casos entre os anos de 2019 a 2021, e somente no mês de setembro do ano passado mais de cem registros desse tipo de crime. Por parte de vários segmentos da população local, a sensação é que a cidade permanece insegura e um espaço onde a ameaça de mortes e as mortes se inserem na acomodação.
No documento Atlas da Violência 2021, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Amazonas é o único estado brasileiro que registrou aumento na taxa de homicídios, e de 5,4% na mortalidade infantil, a de homicídio de jovens, faixa etária de 15 a 29 anos, ficou em 6.9%.
Em outro aspecto, o feminicídio situa a grave condição das mulheres, com 34% de aumento na prática desse crime principalmente durante a vigência de regras mais rígidas do isolamento social em função da pandemia da Covid-19, no ano de 2021, com tendência de alta, como advertem pesquisadores que monitoram o tema no Amazonas.
A presença frequente na lista dos mais violentos deveria ser um indicador da necessidade urgente de formação de aliança ampla com foco no manejo de mecanismos que respondam com eficiência ao enfrentamento a esse quadro.
Não é trabalho que se encerra em curto prazo, pelo contrário precisa ser percebido com ação de longo prazo e como plano de ação sob avaliação permanente e que não sofra descontinuidade a partir das mudanças dos governos em nível estadual e dos municípios. A violência que tomou conta do Amazonas reivindica disposição para desaparelhar grupos, estimular o valor da vida e identificar os pilares que sustentam a vigência e o crescimento desta, a fim de que haja ação permanente e retire o Estado da grave condição a que foi lançado.