Agir pelo diálogo e restabelecer a instituicionalidade
Lula, eleito, recebeu dos governos do mundo o reconhecimento da vitória e, internamente, dos representantes dos poderes instituídos, da Justiça Eleitoral e dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado
O Brasil emerge do processo eleitoral dividido como assim viveu antes e durante a campanha presidencial. Mais que polarização, o País está envolto em divisões profundas que se antes existiam e não eram visíveis hoje são exibidas e reivindicadas como diferenças que demarcam a vida política governamental.
Um agrupamento mais afeito à pauta da direita conservadora, do autoritarismo e de repressão à estrutura democrática com braço longo de igrejas evangélicas que se apresentaram inteiramente dispostas a agir empresarialmente no campo da fé para defender e até impor aos seus seguidores uma das candidaturas à Presidência da República. Outro configurado numa grande frente com leque de interesses em que o ponto principal é a defesa do Brasil como nação democrática.
A tensão permanece elevada com ensaios, por parte de alguns segmentos, de criação de obstáculos como o de promover confrontos. Lula, eleito, recebeu dos governos do mundo o reconhecimento da vitória e, internamente, dos representantes dos poderes instituídos, da Justiça Eleitoral e dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado.
Caberá ao presidente eleito, aos assessores mais diretos e ao vice-presidente eleito manejarem as cordas do diálogo, agir na redução dos campos de tensão a fim de que seja iniciado o trabalho de transição. Experiente, maduro e reconhecidamente um homem afeito a dialogar, o político Lula terá que caminhar nesses extremos na busca da primeira conciliação no espaço de governo e liderar a outra, maior, que é aquela com a sociedade brasileira.
Não será a primeira vez que o ex-metalúrgico irá encarar cenários difíceis.
Viveu os efeitos do governo ditatorial, a luta pela redemocratização brasileira, as campanhas eleitorais, fez nascer uma central de trabalhadores, um partido político, conhece o sabor das derrotas e das vitórias.
Preso, foi solto após o processo ser anulado por graves falhas da Justiça e,agora, eleito democraticamente, sob sua responsabilidade muitas tarefas a serem realizadas interna e externamente que envolve competência, capacidade criativa, confiança e credibilidade interna e externa.
Para os brasileiros, a pauta inclui acabar com a fome de milhões de pessoas, reestruturar serviços básicos, orçamento público, a forma de atuação de setores estratégicos no combate à destruição da Amazônia e de outros biomas. Externamente, a gestão Lula tem o compromisso de reestabelecer conexões com a América Latina e, com os governos de outras regiões, inaugurar nova fase retirando o Brasil do isolamento em que se encontra.